A Polícia Federal consolidou o uso de uma tecnologia avançada capaz de acessar o conteúdo integral de celulares apreendidos, mesmo que os aparelhos estejam desligados ou protegidos por senhas complexas.

A informação, revelada nesta sexta-feira (16) pela jornalista Julia Duailibi, ajuda a contextualizar o clima de tensão que atinge os círculos políticos e empresariais de Brasília após operações recentes.

Diferente de métodos convencionais de desbloqueio, a perícia da PF realiza a extração de dados sem que o dispositivo se conecte a redes Wi-Fi ou móveis.

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Para garantir a integridade das provas, os agentes utilizam o princípio físico da Gaiola de Faraday — estruturas metálicas ou bolsas especiais que bloqueiam qualquer sinal eletromagnético. O isolamento impede que investigados apaguem dados remotamente assim que o aparelho é ligado.

📷 Diferente de métodos convencionais de desbloqueio, a perícia da PF realiza a extração de dados sem que o dispositivo se conecte a redes Wi-Fi ou móveis. |Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

De acordo com a apuração, a ferramenta não permite uma seleção prévia: ou os dados são extraídos em sua totalidade ou o acesso é bloqueado.

Na prática, isso significa que conversas, fotos e e-mails são copiados integralmente para análise posterior, independentemente de terem relação direta com o objeto inicial do inquérito.

Essa "devassa digital" é o principal motivo do pânico nos bastidores da capital. Atualmente, a Justiça detém aparelhos de figuras com alto trânsito em Brasília, como os investidores Daniel Vorcaro e Nelson Tanure. A exposição de históricos digitais completos coloca em risco segredos que vão muito além das investigações em curso.

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