Viver um papel de grande repercussão na TV no início dos anos 2000 trouxe um preço alto para Cleo. Em um desabafo sincero durante participação no podcast OdeioCinema, a atriz — que hoje integra o elenco de Coração Acelerado — relembrou como o sucesso da personagem Lurdinha, na novela América (2005), acabou desencadeando uma onda sufocante de assédio vinda do público masculino nas ruas.

Na trama assinada por Glória Perez, a jovem Lurdinha ganhou fama pelas investidas no personagem de Edson Celulari. Fora dos estúdios, no entanto, a ousadia da ficção virou justificativa para que muitos homens cruzassem a linha do respeito no cotidiano da atriz.

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Retaliação da imprensa por não se calar

A filha de Glória Pires e Fábio Jr. explicou que sua reação imediata contra as abordagens grosseiras incomodava não apenas os assediadores, mas também os veículos de comunicação da época:

• Grosseria como defesa: Cleo revelou que respondia com extrema rispidez a qualquer comentário abusivo que ouvia em locais públicos.

• Inversão de culpa: Ao denunciar a situação para os jornais, ela frequentemente acabava pintada como a "vilã" ou "antipática" da história por não aceitar o papel de vítima silenciosa.

• Desmistificando a fama: A artista pontuou que o sucesso financeiro ou a exposição na televisão jamais devem ser encarados pelo público como um passe livre para o desrespeito.

Tática de constrangimento público

Para frear os comentários invasivos sem precisar recorrer à violência, Cleo desenvolveu um método verbal que desarmava os homens que tentavam intimidá-la.

Inversão do jogo: A tática consistia em fingir que não havia escutado a provocação, obrigando o homem a repetir o absurdo em voz alta. Ao pedir que explicassem a "piada" ou o comentário, ela transferia a vergonha para o agressor, expondo o ridículo da situação diante de outras pessoas. "O erro é seu de reagir?", questionou a atriz ao defender sua postura de rebeldia.

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