O Brasil entra em campo em clima de decisão, e a reação automática de milhões de torcedores diante do balançar das redes é explodir em comemoração. No entanto, o tradicional "grito de gol" pode cobrar um preço alto da saúde se for feito de forma intensa e repetitiva. Médicos alertam que o esforço vocal concentrado em poucos minutos de partida é capaz de sobrecarregar o sistema fonador, provocando desde rouquidão temporária até lesões sérias. O tema ganha destaque em meio ao clima de Copa do Mundo e soma-se a outras orientações médicas e reportagens de prevenção e bem-estar acompanhadas pelo portal.

Atrito severo nas pregas vocais

De acordo com a otorrinolaringologista Fernanda Dal Bem Kravchychyn, do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, o grande perigo para os torcedores não reside em um grito isolado de euforia, mas sim na repetição desse comportamento ao longo dos 90 minutos de jogo. Durante o grito, as pregas vocais colidem com uma intensidade muito superior à de uma conversa normal, gerando um desgaste imediato nos tecidos da laringe.

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Após o apito final, sintomas como sensação de garganta arranhando, cansaço para falar e dificuldade para atingir tons agudos são sinais claros de abuso vocal. Pessoas que sofrem de refluxo gastroesofágico, fumantes ou indivíduos que já possuem histórico de inflamações na garganta apresentam uma vulnerabilidade ainda maior de transformar o incômodo passageiro em um problema crônico.

Cuidados práticos e sinais de alerta

Para quem deseja apoiar a Seleção Brasileira sem prejudicar a própria saúde, especialistas apontam algumas estratégias simples que ajudam a mitigar os danos:

• Hidratação constante: Beber água em temperatura ambiente antes, durante e após os jogos ajuda a lubrificar as cordas vocais;

• Evitar competição sonora: Não tente gritar acima do barulho de caixas de som, vuvuzelas ou da própria torcida;

• Descanso vocal: Caso sinta a voz gasta, evite falar ou cochichar nas horas seguintes ao jogo;

• Moderação: Evitar o excesso de bebidas alcoólicas e cigarro, que ressecam a mucosa da laringe.

A fonoaudióloga Paula Anderle ressalta que, embora profissionais da voz usem técnicas de projeção com apoio respiratório (diafragma), nenhum grito é 100% seguro. Os torcedores devem ficar atentos aos sinais de alerta. Caso a rouquidão persista por mais de 10 a 14 dias, ou ocorram falhas frequentes na voz e dor aguda ao falar, a avaliação de um especialista torna-se indispensável.

O otorrinolaringologista Gustavo Lara Rezende, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), esclarece que exames como a videolaringoscopia conseguem identificar se o trauma gerou edemas, hemorragias ou pólipos na região. Em quadros mais graves provocados pelo esforço extremo, o tratamento pode incluir desde repouso absoluto da voz e fonoterapia até procedimentos cirúrgicos.

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