Pesquisa italiana mostra que os animais piscam com mais frequência quando interagem com pessoas conhecidas, apontando uma função social no gesto.

Embora não utilizem palavras, os cães possuem formas refinadas de comunicação que vão além do latido e do balançar de cauda. Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Parma, na Itália, e publicado na revista Royal Society Open Science, revelou que o ato de piscar os olhos desempenha um papel fundamental no repertório social dos cães ao interagirem com seres humanos.

Para isolar o gesto de outros estímulos, os pesquisadores realizaram um experimento com 35 cães de diferentes raças. Cada animal assistiu a duas gravações com imagens de seu tutor e de pessoas desconhecidas: no primeiro vídeo, as pessoas piscavam de forma cadenciada; no segundo, mantinham o olhar fixo sem piscar.

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Familiaridade e atenção social

A análise dos movimentos faciais dos cães, realizada com o auxílio de softwares especializados, revelou padrões comportamentais claros:

• Fator de conexão: Os cães piscaram com maior frequência ao visualizar seus próprios tutores em comparação com as pessoas estranhas, demonstrando que o vínculo e a familiaridade influenciam a resposta.

• Redução na ausência do estímulo: Quando assistiram ao vídeo em que os humanos não piscavam, os animais também reduziram a frequência de piscadas.

• Mimetismo e atenção: Os cientistas descartaram a simples imitação mecânica, avaliando que o aumento no piscar indica um estado de maior atenção, mimetismo automático (imitação involuntária ligada à empatia) e engajamento em conexões sociais.

Os autores da pesquisa apontam que os resultados reforçam a complexidade do comportamento canino nas relações com os humanos. A próxima etapa dos estudos pretende analisar de que maneira esse gesto varia conforme os diferentes ambientes e contextos sociais do dia a dia.

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