Embora não utilizem palavras, os cães possuem formas refinadas de comunicação que vão além do latido e do balançar de cauda. Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Parma, na Itália, e publicado na revista Royal Society Open Science, revelou que o ato de piscar os olhos desempenha um papel fundamental no repertório social dos cães ao interagirem com seres humanos.
Para isolar o gesto de outros estímulos, os pesquisadores realizaram um experimento com 35 cães de diferentes raças. Cada animal assistiu a duas gravações com imagens de seu tutor e de pessoas desconhecidas: no primeiro vídeo, as pessoas piscavam de forma cadenciada; no segundo, mantinham o olhar fixo sem piscar.
Veja também
- Solidão lésbica: por que é tão difícil se sentir pertencente?
- Conheça a origem da data e os nomes que revolucionaram a mente humana
- 28 de agosto: veja por que a data é importante
Familiaridade e atenção social
A análise dos movimentos faciais dos cães, realizada com o auxílio de softwares especializados, revelou padrões comportamentais claros:
• Fator de conexão: Os cães piscaram com maior frequência ao visualizar seus próprios tutores em comparação com as pessoas estranhas, demonstrando que o vínculo e a familiaridade influenciam a resposta.
• Redução na ausência do estímulo: Quando assistiram ao vídeo em que os humanos não piscavam, os animais também reduziram a frequência de piscadas.
• Mimetismo e atenção: Os cientistas descartaram a simples imitação mecânica, avaliando que o aumento no piscar indica um estado de maior atenção, mimetismo automático (imitação involuntária ligada à empatia) e engajamento em conexões sociais.
Os autores da pesquisa apontam que os resultados reforçam a complexidade do comportamento canino nas relações com os humanos. A próxima etapa dos estudos pretende analisar de que maneira esse gesto varia conforme os diferentes ambientes e contextos sociais do dia a dia.
