O protagonismo das mulheres na economia brasileira vai além das celebrações de março. Dados do Sebrae revelam que o Brasil encerrou 2024 com 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios, um recorde na série histórica. O avanço, contudo, contrasta com barreiras estruturais: elas representam 51,7% da população em idade ativa, mas ocupam apenas 34,1% do universo de donos de empresas.

Desafios no crédito e jornada dupla

A disparidade financeira é um dos principais entraves. Segundo o Ministério do Empreendedorismo (MEMP), as mulheres acessam apenas 25% dos recursos destinados a pequenos negócios. Ana Claudia Brada Cotait, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), aponta que a escassez de capital e as taxas de juros mais elevadas para o público feminino limitam investimentos em inovação e estoque.

Veja também:

Além do fator financeiro, a sobrecarga de tarefas é um obstáculo real. Dados do Instituto Rede Mulher Empreendedora indicam que 58,3% das empreendedoras são chefes de domicílio, conciliando a gestão de empresas com o cuidado da família. "Muitas são mães solo e arrimo de família. A formalização e a capacitação são os primeiros passos para ampliar esse campo de atuação", destaca Cotait.

Políticas públicas e representatividade

A desigualdade também possui recorte racial, com negócios liderados por mulheres negras apresentando, em média, menor faturamento e menor índice de formalização. Para a deputada federal Adriana Ventura (NOVO/SP), o fortalecimento de entidades que oferecem suporte técnico e mentoria é fundamental para que a mulher conquiste independência financeira.

Para 2026, as lideranças do setor defendem uma agenda baseada em três pilares para consolidar esses avanços:

  • Crédito facilitado: Linhas com juros compatíveis para microempreendedoras e MEIs.
  • Desburocratização: Consultorias e mentorias em formatos digitais e horários flexíveis.
  • Compras públicas: Estímulo para que governos contratem serviços de empresas lideradas por mulheres.

MAIS ACESSADAS