Pesquisadores da Universidade de Oxford iniciaram conversas estratégicas no Brasil esta semana para viabilizar testes clínicos de imunizantes de última geração contra o câncer. O grupo britânico reuniu-se com representantes do Ministério da Saúde e do A.C. Camargo Cancer Center para planejar estudos que integram inteligência artificial e novas metodologias de exames.

Diferente das vacinas convencionais para doenças infecciosas, estas tecnologias atuam na reprogramação do sistema imunológico, treinando as defesas do organismo para identificar e destruir células tumorais. O avanço acelerado das pesquisas permitiu que diversos projetos já estejam aptos para o início das fases de teste em humanos.

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Imunoterapia e genética

O esforço científico divide-se em duas frentes principais. As vacinas terapêuticas são desenhadas para pacientes já diagnosticados, potencializando o combate ao tumor. Já as vacinas preventivas focam em indivíduos com alta predisposição genética, visando impedir o surgimento da doença.

📷 O desenvolvimento desses imunizantes pegou carona em tecnologias consolidadas durante a pandemia de Covid-19. |Shutterstock/Lightspring

Um dos projetos mais promissores foca no vírus Epstein-Barr (EBV), relacionado a cerca de 200 mil casos anuais de câncer globalmente. A escolha do Brasil como parceiro é estratégica: a região Norte apresenta incidências específicas ligadas a esse vírus, o que torna o país um terreno fundamental para a validação dos estudos.

Legado da pandemia e IA

O desenvolvimento desses imunizantes pegou carona em tecnologias consolidadas durante a pandemia de Covid-19. Com o auxílio da inteligência artificial, cientistas conseguem mapear com precisão os alvos moleculares do tumor. Em Oxford, esse fluxo de trabalho permitiu que projetos saíssem do laboratório para os testes clínicos em apenas três anos.

📷 O avanço acelerado das pesquisas permitiu que diversos projetos já estejam aptos para o início das fases de teste em humanos |Angellodeco/Shutterstock

Além do foco no EBV, o portfólio de pesquisas inclui a LungVax (para câncer de pulmão) e imunizantes para tumores de mama, ovário e do trato gastrointestinal. O objetivo central da cooperação é utilizar a infraestrutura hospitalar brasileira para os testes, garantindo que os futuros tratamentos tenham custos acessíveis para nações em desenvolvimento.

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