Um regulamento publicado pela Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. Com a medida, o país tornou-se o único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições, enquanto os vizinhos Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem totalmente habilitados a vender para os 27 membros da União Europeia (UE).
A decisão atinge em cheio o segundo mercado mais importante para o agronegócio brasileiro em receita, atrás apenas da China. De acordo com o sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil exportou 368,1 mil toneladas de carnes para a UE, movimentando US$ 1,8 bilhão. O anúncio surpreendeu o setor por ocorrer logo após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos.
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O motivo do veto e as exigências sanitárias
A Comissão Europeia sustenta que a exclusão não possui motivação política ou comercial, tratando-se exclusivamente do descumprimento de exigências sanitárias rigorosas:
• Falta de dados: Bruxelas alega que o Brasil não apresentou informações suficientes para provar que conseguirá banir, até setembro, o uso de determinados antimicrobianos utilizados para promover o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais.
• Riscos à saúde: A UE proíbe essas substâncias por entender que o uso inadequado gera resistência bacteriana, uma das maiores ameaças globais à saúde pública.
• Produtos afetados: O veto atinge as categorias de bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas.
O tamanho do impacto financeiro por setor
A dimensão do prejuízo para o agronegócio brasileiro fica evidente quando observamos o volume financeiro gerado pelo comércio com o bloco europeu no último ano:
• Carne Bovina: Lidera as perdas em potencial, somando US$ 1,048 bilhão em exportações.
• Carne de Frango: Representa o segundo maior mercado, registrando US$ 762,9 milhões.
• Carne de Peru: Movimentou US$ 15,7 milhões no mesmo período.
• Outras categorias: Carnes suína, de cavalo, ovina e de pato somam juntas cerca de US$ 2,1 milhões.
Posição do governo e prazo final
Integrantes do governo brasileiro contestam a decisão e afirmam que o Ministério da Agricultura já havia encaminhado toda a documentação exigida pelas autoridades europeias, sem receber qualquer alerta prévio de inconformidade ou pedido de complementação de dados.
Prazo de vigência: Apesar de já ter sido oficializado no diário do bloco europeu, o veto ainda não está operando na prática. O regulamento só passará a produzir efeitos jurídicos e comerciais a partir do dia 3 de setembro de 2026, dando uma janela de poucos meses para que a diplomacia e as autoridades brasileiras tentem reverter a sanção.
