Levantamento em 14 regiões metropolitanas associa altas temperaturas a 50 mil mortes em duas décadas; chegada do El Niño deve intensificar o problema.

Consideradas desastres invisíveis por especialistas, as ondas de calor seguem subestimadas no país, apesar de causarem uma taxa de mortalidade vinte vezes superior à dos deslizamentos de terra. Durante debate no Museu do Amanhã, a meteorologista Renata Libonati (UFRJ/OMM) revelou que o estresse térmico provocou 50 mil mortes entre 2000 e 2020 nas principais áreas urbanas do Brasil.

O alerta ganha gravidade com a consolidação de um novo ciclo do El Niño, fenômeno que deve potencializar os dias de calor extremo e agravar a estiagem e o risco de queimadas, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

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Impactos regionais e vulnerabilidade social

O pesquisador José Marengo, do Cemaden, ressaltou que o El Niño atua como um amplificador de gargalos socioeconômicos já existentes. Enquanto o Sul enfrenta maior incidência de tempestades e inundações, as regiões Norte e Nordeste encaram redução drástica nas chuvas e severas secas.

Na visão do físico Paulo Artaxo (USP), as estratégias de adaptação climática nas cidades precisam priorizar as populações de menor renda:

• Desigualdade térmica: Moradores de áreas periféricas, expostos a habitáculos de zinco e sem acesso à refrigeração, sofrem os maiores danos à saúde;

• Aquecimento acentuado: O Brasil registra elevação média de temperatura próxima de 2°C, patamar superior à média do planeta;

• Urgência nas políticas públicas: Especialistas cobram planos de prevenção estruturados nos três níveis de governo para mitigar prejuízos na saúde, agricultura e infraestrutura.

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