Bancos aumentam reserva contra calotes para conter impactos do avanço da inadimplência na rentabilidade das instituições.

O volume de empresas com contas em atraso no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2016 pela Serasa Experian. Em junho, o país somava mais de 9,1 milhões de CNPJs no cadastro de inadimplentes, acumulando um montante de R$ 232,9 bilhões em dívidas. O resultado representa uma alta de 16,67% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O avanço do calote empresarial reflete um cenário de aperto monetário prolongado e desaceleração econômica. Segundo analistas do setor, a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados encareceu expressivamente o custo do crédito no país, dificultando a reorganização de caixa das companhias.

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Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de cortes na taxa de juros, o patamar da Selic segue restritivo. A combinação entre crédito caro e retração nas vendas reduziu o ritmo de geração de receitas das corporações no momento em que muitas ainda tentavam renegociar passivos acumulados em anos anteriores. O reflexo desse aperto já havia sido evidenciado pela escalada nos pedidos de recuperação judicial registrada ao longo de 2025.

📷 Altas taxas de juros e queda na receita das empresas impulsionam o endividamento e levam calote empresarial ao maior nível em dez anos. |Reprodução CNN Brasil

O avanço da inadimplência também traz impactos diretos para o sistema financeiro. Diante do aumento nos atrasos e nos calotes, as instituições bancárias foram forçadas a reforçar suas provisões para devedores duvidosos, o que pressiona a rentabilidade do setor. Analistas de mercado apontam que os investidores têm atuado de forma mais seletiva, diferenciando os bancos que conseguem reter margens operacionais daqueles mais expostos à deterioração do crédito corporativo.

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