A missão Artemis II, lançada no último dia 1º de abril de 2026, deu um passo decisivo em sua trajetória histórica. Na noite da ultima sexta-feira (3), a cápsula Orion realizou com sucesso a manobra de "injeção translunar", acionando seus motores para romper a gravidade terrestre e ajustar a rota definitiva em direção ao satélite natural.

Embora o destino seja a Lua, o caminho não é uma linha reta. Desde o lançamento na Flórida, a nave realizou pouco mais de uma volta completa ao redor da Terra, ainda acoplada a parte do foguete, antes de se desprender para seguir viagem solo. Agora, a Orion navega no espaço profundo, onde testará sistemas críticos e trajes espaciais fora da zona de influência protetora do nosso planeta.

O Desafio do "Lado Oculto"

A tripulação da Artemis II, composta por quatro astronautas, realizará um sobrevoo pelo lado oculto da Lua. Um dos momentos mais tensos da missão ocorrerá quando a nave passar por trás do satélite, perdendo temporariamente todo o contato de rádio com a Nasa.

O retorno utilizará a assistência gravitacional lunar para "estilingar" a cápsula de volta à Terra. O encerramento da missão está previsto para daqui a 10 dias, com um pouso no Oceano Pacífico auxiliado por paraquedas.

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Por que demoramos 54 anos para voltar?

O hiato desde a última missão tripulada (Apollo 17, em dezembro de 1972) é tema de análise de especialistas, como o professor Domenico Vicinanza, da Anglia Ruskin University. Segundo o pesquisador, o intervalo de meio século não ocorreu por limitações tecnológicas, mas por fatores políticos e econômicos.

• Fim da Corrida Espacial: O programa Apollo cumpriu seu objetivo geopolítico de curto prazo. Após 1972, o orçamento da Nasa caiu e o foco mudou para a baixa órbita terrestre com os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS).

• Custos e Prioridades: Projetos posteriores, como o Constellation, foram cancelados por falta de apoio financeiro contínuo do Congresso Americano e mudanças de gestão na Casa Branca.

• O Diferencial da Artemis: Ao contrário do modelo isolado da década de 60, o programa atual se baseia em parcerias comerciais (SpaceX e outras) e na cooperação internacional através dos Acordos Artemis, distribuindo custos e riscos para garantir uma presença humana sustentável.

A Artemis II é o teste final antes da missão Artemis III, que pretende levar novamente seres humanos, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra, para pisar na superfície lunar.

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