O Hantavírus, agente causador de doenças graves que comprometem os sistemas respiratório e renal, tem mobilizado as autoridades sanitárias brasileiras em maio de 2026. Classificada como uma zoonose, doença transmitida de animais para humanos, a infecção varia conforme a linhagem do vírus, podendo se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), comum nas Américas, ou Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), frequente na Europa e Ásia.

Origem e identificação histórica

Embora sintomas semelhantes tenham relatos seculares, a identificação científica ocorreu na década de 1970, na Coreia do Sul. O nome deriva do Rio Hantan, onde o Dr. Ho-Wang Lee isolou o vírus pela primeira vez ao investigar soldados doentes durante a Guerra da Coreia. O reservatório natural do vírus são os roedores silvestres, como ratos do mato e camundongos selvagens, que eliminam o agente infeccioso pela urina, fezes e saliva.

Panorama nacional e o óbito em Minas Gerais

Até o momento, o Ministério da Saúde confirmou oito casos no Brasil em 2026, com a seguinte distribuição geográfica:

• Minas Gerais: 2 casos, incluindo a única morte registrada no país, um homem de 46 anos em Carmo do Paranaíba.

• Paraná: 2 casos confirmados e 11 em investigação.

• Rio Grande do Sul: 2 casos.

• Santa Catarina: 1 caso.

• Sem localidade identificada: 1 caso.

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Apesar dos registros, o governo considera baixo o risco de disseminação em larga escala, já que as cepas identificadas no território nacional não possuem histórico de transmissão entre humanos.

O contexto internacional e a cepa Andes

Recentemente, a doença ganhou as manchetes globais devido a um surto no navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina rumo a Cabo Verde. Neste episódio, foi identificada a cepa Andes, a única conhecida pela ciência capaz de permitir a transmissão de pessoa para pessoa, embora tal evento seja considerado raro. As autoridades brasileiras reforçam que os casos locais não possuem qualquer relação com o surto no navio.

Como ocorre a transmissão

A principal forma de contágio não é a mordida, mas a inalação de aerossóis. Quando os excrementos dos roedores secam, o vírus se mistura à poeira. Ao varrer ou limpar locais fechados sem a proteção adequada, o indivíduo respira essas partículas contaminadas. O contato direto com fezes ou urina seguido do toque em mucosas (olhos, nariz e boca) também representa risco.

Recomendações de segurança

Para quem vive ou trabalha em áreas rurais e de lavoura, a prevenção é a medida mais eficaz. Especialistas orientam:

• Ventilação: Ambientes que ficaram fechados por muito tempo devem ter janelas e portas abertas por pelo menos 30 minutos antes da entrada de pessoas.

• Limpeza Úmida: Jamais varrer locais com presença de roedores a seco. É fundamental utilizar água sanitária (cloro) para molhar o chão e as superfícies antes da limpeza, impedindo que o vírus suba com a poeira.

• Armazenamento: Grãos e rações devem ser mantidos em recipientes hermeticamente fechados para evitar a aproximação de roedores silvestres das residências.

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