A Colômbia concluiu a transição gradual de sua reforma trabalhista, fixando a jornada de trabalho oficial em 42 horas semanais. O novo limite entrou em vigor em paralelo aos efeitos do reajuste de 23,7% no salário mínimo do país. Contrariando as projeções tradicionais de mercado, o aumento nos custos unitários por trabalhador não gerou demissões em massa; pelo contrário, o desemprego no país vizinho atingiu o menor patamar de sua história recente.
O modelo aplicado combinou decisões de diferentes espectros políticos: o corte de horas foi aprovado originalmente durante a gestão de direita de Iván Duque, enquanto o expressivo aumento salarial foi chancelado pela reforma trabalhista do atual presidente de esquerda, Gustavo Petro.
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Expansão do emprego formal e contratações compensatórias
O economista Stefano Farné, membro do Observatório do Mercado de Trabalho da Universidade Externado, aponta que o emprego assalariado na iniciativa privada mantém uma trajetória de expansão sólida há vários meses consecutivos.
• Vagas para compensação: De acordo com uma análise macroeconômica realizada pela Corficolombiana, o mercado local gerou cerca de 787 mil novos postos de trabalho formais com o único propósito de suprir as horas produtivas que deixaram de ser cumpridas pela força de trabalho antiga.
• Falta de folga dupla: Uma diferença crucial em relação ao debate atual no Brasil (que discute o fim da escala 6x1 e a redução para 40 horas) é que a legislação da Colômbia reduziu a carga horária bruta, mas optou por não carimbar a obrigatoriedade de duas folgas semanais fixas para os funcionários.
Alerta para a produtividade e corrida pela automação
Apesar dos indicadores sociais de emprego positivos, a Federação Nacional de Comerciantes da Colômbia (Fenalco) e relatórios de inteligência financeira ligaram o sinal de alerta para a eficiência do setor produtivo a longo prazo.
Gargalo na eficiência: O relatório técnico da Corficolombiana detalha que a produtividade média do país apresentou retração. Como o volume total de entregas passou a ser distribuído entre mais contratados e cada indivíduo produz menos por turno individual, o custo final da economia subiu. Para blindar suas margens de lucro de uma perda severa de eficiência, grandes redes comerciais e supermercados colombianos começaram a antecipar o fechamento de filiais físicas e a acelerar investimentos em sistemas de automação de processos.
