Uma expedição científica nas selvas de Bornéu, na Malásia, resultou na descoberta de uma nova espécie de fungo com um comportamento ecológico impressionante. Batizado de Pleurocordyceps cornusynnemata, o organismo foi classificado como um "hiperparasita", o que significa que ele atua como um parasita de outro parasita.

O alvo dele é o famoso Ophiocordyceps, conhecido popularmente como o "fungo zumbi", que infecta formigas, controla seus comportamentos e causa o falecimento dos insetos para conseguir se reproduzir.

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Como funciona o "parasita do parasita"

A descoberta, realizada por pesquisadores da Universiti Malaysia Sabah, revela um mecanismo inédito de controle natural na floresta:

• Infiltração silenciosa: O Pleurocordyceps não ataca a formiga diretamente. Em vez disso, ele se infiltra no fungo zumbi que já está se desenvolvendo dentro do inseto e passa a se alimentar dele.

• Bloqueio do ciclo: Ao consumir os tecidos do Ophiocordyceps, o novo fungo interrompe o ciclo de crescimento do rival, impedindo que ele espalhe seus esporos e infecte novas formigas.

• Formato único: O organismo apresenta uma estrutura em formato de chifre, característica que o diferencia de outras 26 espécies conhecidas do mesmo gênero encontradas na Ásia.

Potencial para a medicina humana e agricultura

O comportamento agressivo do Pleurocordyceps cornusynnemata contra outro fungo acendeu o alerta positivo na comunidade científica. Para conseguir digerir e destruir o fungo zumbi, ele precisa produzir substâncias químicas altamente eficazes e enzimas isoladas.

Expectativa farmacológica: Cientistas acreditam que esses compostos naturais possam ser extraídos e estudados em laboratório para o desenvolvimento de novos medicamentos antimicrobianos e antifúngicos para humanos. Além disso, o organismo surge como um forte candidato para o controle biológico de pragas em lavouras, oferecendo uma alternativa natural aos defensivos químicos agrícolas.

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