Durante mais de um século, a comunidade astronômica mundial buscou compreender um dos fenômenos mais intrigantes do céu noturno: as oscilações periódicas na luminosidade de Betelgeuse, a brilhante supergigante vermelha localizada na constelação de Órion.
Conhecida por seu tom alaranjado marcante e por estar nas etapas finais de sua evolução estelar, a estrela sempre apresentou dois padrões distintos de variação de brilho: um pulso mais curto, de aproximadamente 400 dias, e outro muito mais extenso, que dura cerca de seis anos (2.170 dias).
Enquanto o ciclo menor sempre foi associado às pulsações internas da própria estrela, o ciclo longo permaneceu como um mistério indecifrável por cem anos. A observação foi feita com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO).
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Agora, um estudo conduzido por uma equipe internacional de astrofísicos conseguiu solucionar o enigma. Utilizando simulações de computador avançadas e cruzamento de dados observacionais, os cientistas demonstraram que o ciclo de seis anos não decorre de processos internos de Betelgeuse, mas sim da presença de uma estrela companheira até então invisível.
Apelidada informalmente de "Betelbuddy", essa parceira menor orbita a supergigante e atua como uma espécie de "limpa-neves" gravitacional, empurrando e dispersando a poeira cósmica ao redor. Conforme a companheira se desloca, a quantidade de luz bloqueada varia, criando para os observadores na Terra a ilusão de que a própria Betelgeuse está mudando de intensidade.
A revelação traz implicações profundas para a compreensão do futuro de Betelgeuse. Anteriormente, parte dos pesquisadores especulava que as alterações de brilho de longo período pudessem sinalizar uma instabilidade grave em seu núcleo, antecipando uma explosão iminente em supernova.
Com a confirmação de que o ciclo é provocado por uma interação binária, os astronômos avaliam que a estrela ainda deve levar dezenas ou centenas de milhares de anos para explodir. A descoberta representa um divisor de águas no estudo de supergigantes e abre caminho para observações diretas da nova estrela parceira nos próximos anos.
