Prática da Geração Z defende corte no desodorante e no banho para atrair parceiros, mas especialistas alertam para riscos à saúde e rejeição.

Nas redes sociais, uma nova conduta comportamental entre os jovens da Geração Z tem gerado debate ao propor uma abordagem inusitada e controversa para a atração sexual. Batizado de pheromone maxxing, o movimento defende que os homens devem reduzir ou até suspender temporariamente o banho, a aplicação de desodorantes e o uso de perfumes antes de encontros amorosos.

A premissa dos adeptos é a de que a ausência de produtos de higiene potencializaria a liberação dos chamados feromônios humanos, supostamente aumentando o desejo e o interesse das parceiras.

Veja também 

A prática, contudo, é apontada por especialistas como um equívoco que confunde a individualidade olfativa com o acúmulo de sujeira e suor. A sexóloga Camila Gentile esclarece que não existem evidências científicas comprobatórias de que o corpo humano produza feromônios capazes de provocar atração sexual direta ou melhorar o desempenho durante o ato íntimo.

Segundo a profissional, há uma diferença marcante entre o cheiro natural e característico da pele de uma pessoa e o odor desagradável resultante da proliferação bacteriana causada pela falta de higienização.

A especialista pontua que a percepção de um aroma corporal como algo atraente está vinculada a fatores emocionais, afetivos e de memória, e não ao acúmulo de secreções. Estudos que avaliaram a atração pelo odor indicam que a familiaridade e a ligação afetiva prévia fazem com que o cheiro de um parceiro conhecido seja percebido como agradável.

Essa resposta é profundamente individual, variando de pessoa para pessoa, o que significa que o aroma que desperta o interesse em alguém pode soar repulsivo para outro indivíduo.

Ao contrário do que prega a tendência virtual, abandonar os cuidados básicos de higiene tende a produzir o efeito oposto ao desejado. Além de gerar constrangimento social e desconforto na interação íntima, o hábito favorece o aparecimento de problemas dermatológicos e infecções de pele. A sexóloga reforça que o banho diário e o uso de produtos de higiene pessoal não eliminam a identidade olfativa individual, sendo perfeitamente possível manter a própria essência natural enquanto se preserva a saúde do corpo e o bem-estar nos relacionamentos.

MAIS ACESSADAS