No dia 13 de setembro de 1983, a história da mineração brasileira registrou um de seus episódios mais emblemáticos. Em pleno apogeu do garimpo manual de Serra Pelada, no estado do Pará, o garimpeiro Júlio de Deus Filho localizou, no setor conhecido como Garimpo de Malvina, uma formação aurífera colossal de quase 150 quilos.
Durante os trabalhos de remoção e escavação do solo, a imensa rocha acabou se partindo em múltiplos pedaços. O fragmento principal recuperado, batizado como Pepita Canaã, pesou impressionantes 60,8 quilos brutos.
Análises técnicas detalhadas e registros oficiais do Banco Central do Brasil indicam que essa peça remanescente possui 56,61 quilos de ouro puro em sua composição, o que representa um grau de pureza (teor) de aproximadamente 93%.
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Caso o bloco original tivesse permanecido totalmente íntegro durante o processo de extração, superaria com folga marcos históricos mundiais da mineração.
Preservação histórica e valor patrimonial
Após a descoberta marcante em terras paraenses, a peça foi vendida pelo garimpeiro. Em 1984, o Banco Central do Brasil efetuou a compra oficial do exemplar para compor o patrimônio cultural e as reservas de bens da União.
Naquela época, a autoridade monetária adquiria o metal diretamente das áreas de lavra garimpeira para fortalecer as reservas internacionais do país.
O grande diferencial da Pepita Canaã em relação aos maiores registros da história internacional da mineração foi o seu destino final. As maiores formações de ouro já catalogadas no planeta — todas descobertas na Austrália ao longo do século XIX, como a Holtermann Nugget (100 kg com quartzo), a Welcome Stranger (71 kg) e a Welcome Nugget (69 kg) — foram invariavelmente esmagadas ou derretidas para comercialização e fundição em barras, restando delas apenas fotografias, desenhos ou réplicas de gesso.
Ao optar por manter a pepita brasileira em seu estado natural bruto, o Brasil preservou intacto o maior exemplar de ouro massivo existente no planeta.
Acervo público no Museu de Valores
Atualmente, a Pepita Canaã integra o acervo permanente do Museu de Valores do Banco Central, localizado no edifício-sede da instituição, em Brasília. Ela é reconhecida internacionalmente como a maior pepita de ouro em exposição pública do mundo e o maior exemplar natural já registrado em solo brasileiro.
A peça atua como o principal destaque de uma vasta coleção numismática e histórica mantida pela instituição, que ultrapassa a marca de 135 mil itens, incluindo cédulas raras, moedas históricas, medalhas e outras pepitas brutas extraídas da Região Amazônica durante a corrida do ouro nos anos 1980. Décadas após sua descoberta, a icônica pedra do Pará continua aberta à visitação pública, perpetuando a memória do garimpo nacional.
1. Valor pelo Ouro Puro Contido
Segundo dados do Banco Central, a pepita contém 56,61 quilos (56.610 gramas) de ouro puro em sua estrutura.
56.610 g × R$ 730,00/g = R$ 41.325.300,00
Apenas pela cotação do metal puro no mercado internacional, a pepita vale cerca de R$ 41,3 milhões.
2. Valor pelo Peso Bruto
Considerando o peso total de 60,8 quilos (60.800 gramas) da rocha extraída:
60.800 g × R$ 730,00/g = R$ 44.384.000,00
Pelo peso bruto total, o valor chegaria a R$ 44,3 milhões.
Valor Histórico e de Colecionador
No mercado de mineração e numismática, exemplares raros como a Pepita Canaã não são avaliados apenas pelo peso do ouro comercial. Por se tratar da maior pepita de ouro preservada em estado natural no mundo, seu valor histórico e de peça única de museu supera significativamente o preço de balcão do metal bruto.
