Os bastidores políticos e jurídicos de Brasília iniciam a semana com atenções totalmente voltadas para o desfecho das negociações de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O ex-banqueiro é apontado como peça-chave de um dos maiores escândalos recentes envolvendo fraudes no sistema financeiro nacional.

Após ter uma primeira tentativa recusada por falta de consistência, a defesa de Vorcaro apresentou uma segunda proposta de colaboração na última semana, que vem passando por sucessivos ajustes a pedido da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ritmo das tratativas é acelerado e novos anexos devem ser integrados ao documento nos próximos dias.

Veja também 

Prazo estendido e regras rígidas

Os advogados de defesa enfrentam uma corrida contra o tempo devido aos prazos e limites de visitação determinados pelo Judiciário:

• Data limite: Sexta-feira é o prazo final do horário estendido concedido pelo ministro André Mendonça para que os defensores alinhem os termos finais com o ex-banqueiro.

• Janela de reuniões: Desde o dia 25 do mês passado, os advogados têm tido reuniões diárias com o réu, das 9h às 17h.

• Retorno às restrições: A partir da próxima segunda-feira (15), expira o benefício e as visitas voltam a seguir o regime padrão e rígido de apenas 30 minutos diários.

Conteúdo explosivo e devolução bilionária

O potencial impacto da delação de Vorcaro mexe com as estruturas de diferentes setores da sociedade civil e do funcionalismo público:

• Lista de envolvidos: Interlocutores apontam que os novos anexos carregam uma "imensidão de nomes", incluindo políticos de destaque, membros do Congresso Nacional e até lideranças religiosas envolvidas na engrenagem do esquema.

• Reparação histórica: A proposta colocada na mesa prevê a devolução de R$ 40 bilhões aos cofres públicos, montante que seria parcelado ao longo de 10 anos.

• Crimes além do colarinho branco: Além dos desvios e fraudes financeiras, a investigação aponta que a organização criminosa planejava agressões físicas e outros atos violentos contra alvos do grupo.

O entrave jurídico: Apesar do avanço nas conversas, o acordo ainda enfrenta resistência técnica de setores jurídicos. Por ser considerado o chefe ou estar no "topo da cadeia alimentar" da organização, juristas discutem a viabilidade legal do benefício, já que a legislação brasileira de colaboração premiada exige que o réu denuncie superiores hierárquicos ou integrantes de igual nível na estrutura criminosa.

MAIS ACESSADAS