Conhecer o Ver-o-Peso vai muito além de caminhar entre barracas e observar a movimentação do complexo. Para revelar histórias, sabores e personagens que fazem parte desse cenário, jornalistas e influenciadores participaram nesta quarta-feira (30) de uma experiência pelos Guias de Descobertas do Ver-o-Peso, iniciativa do Sebrae no Pará em parceria com a Prefeitura de Belém, por meio da Sala do Empreendedor.
A programação começou no Solar da Beira, onde o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, apresentou a proposta. A iniciativa reúne seis possibilidades de visita: O Essencial, Sabores do Ver-o-Peso, Gente do Ver-o-Peso, Leve Belém com Você, Ver-o-Peso: Cultura Viva e Ver-o-Peso de Quem é Daqui.
A ideia é oferecer ao visitante diferentes formas de conhecer um dos principais cartões-postais de Belém, valorizando não apenas os produtos comercializados, mas também as pessoas que mantêm vivas tradições e conhecimentos passados entre gerações.
“Daqui a alguns anos, o Ver-o-Peso faz 400 anos de história. Aqui tem cerca de 1.500 empreendedores que, todo dia e toda noite, estão fazendo negócio”, destacou Rubens Magno durante a apresentação.
Banho de cheiro e saberes amazônicos
Depois da apresentação, o grupo iniciou o percurso acompanhado pelo guia de turismo Marco Romero. A primeira parada foi entre as tradicionais erveiras do Ver-o-Peso, onde os participantes conheceram mais sobre o trabalho desenvolvido no espaço e a relação das ervas com a cultura paraense.
A experiência também incluiu o banho de cheiro, um dos símbolos dessa tradição. Mais do que uma experiência turística, o momento permitiu conhecer de perto um dos saberes populares que fazem parte do cotidiano do complexo.
Na sequência, o grupo percorreu diferentes áreas do Ver-o-Peso, passando por produtos que representam a diversidade da gastronomia e da produção amazônica.
Castanhas, ouriços e farinha
Entre as paradas estavam os espaços dedicados às castanhas e ouriços, produtos que chamam a atenção de quem visita o mercado e fazem parte da variedade de ingredientes encontrados no complexo.
O passeio também chegou aos vendedores de farinha e tapioca. Um deles foi o empreendedor Rafael Ferreira, que apresentou diferentes tipos de farinha comercializados no local e explicou como os produtos chegam até os consumidores.
“É uma combinação perfeita”, explicou Rafael ao falar sobre a presença da farinha junto ao açaí. Segundo ele, a mistura faz parte do hábito alimentar de muitos paraenses e também desperta a curiosidade de quem visita Belém pela primeira vez.
O empreendedor contou que trabalha com diferentes variedades de farinha, incluindo a tradicional farinha de Bragança e opções produzidas com ingredientes regionais, como cacau, cupuaçu e jambu. “Cada uma tem um sabor diferente e combina com um tipo de comida”, explicou.
Para Rafael, apresentar essa diversidade é uma forma de valorizar o trabalho dos produtores e mostrar que a farinha pode ser muito mais do que um acompanhamento. “A gente recebe pessoas de vários lugares. Muitas chegam sem conhecer os tipos de farinha e acabam levando para experimentar em casa”, relatou.
Ele também destacou a importância do contato direto com o público. “Aqui a gente conversa, explica como usar e conta de onde vem cada produto. Não é só vender. É mostrar um pouco da nossa cultura e do que é feito na Amazônia”, afirmou.
De acordo com o empreendedor, o movimento de visitantes ajuda a fortalecer os negócios do complexo, mas também exige dedicação diária. “A gente precisa cuidar da qualidade, manter tudo organizado e atender bem, porque quem vem ao Ver-o-Peso leva uma lembrança daqui. Quando a pessoa gosta, ela volta e também indica para outras pessoas”, disse.
Um Ver-o-Peso contado por quem vive o espaço
Durante a caminhada, Marco Romero foi apresentando os diferentes espaços e personagens encontrados pelo caminho, mostrando que cada área do complexo carrega uma história própria.
Para Rafael, essa possibilidade de contar a história dos produtos é um dos diferenciais do Ver-o-Peso. “Quem trabalha aqui conhece a origem das coisas, sabe como o produto é feito e entende o que ele representa. Quando o visitante escuta isso, ele passa a olhar para a mercadoria de outra maneira”, comentou.
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O percurso terminou no Mercado de Carne, antes do retorno ao Solar da Beira.
A experiência faz parte de uma proposta que busca transformar a visita ao Ver-o-Peso em uma oportunidade de conhecer mais profundamente a cultura local, conectando o público aos empreendedores e aos saberes que fazem parte da rotina do complexo.
Segundo Rubens Magno, o trabalho também está relacionado ao fortalecimento dos pequenos negócios. Ele destacou que o Sebrae atua para ajudar empreendedores a organizar seus negócios, melhorar a apresentação dos produtos e ampliar as oportunidades geradas pelo fluxo de visitantes.
Além de conhecer os produtos, quem percorre os caminhos propostos pelos Guias de Descobertas pode encontrar diferentes histórias sobre as pessoas que fazem o Ver-o-Peso funcionar diariamente.
Com os novos percursos, o complexo passa a ser apresentado não apenas como um lugar de passagem, compras ou gastronomia, mas como um espaço onde cultura, turismo e empreendedorismo se encontram diariamente às margens da Baía do Guajará.
