A estrutura do Banco Central deverá ganhar reforço nos próximos meses com a abertura de um novo concurso público. O governo federal prepara a autorização para o preenchimento de 140 vagas na instituição, medida que busca amenizar o déficit de servidores em setores considerados essenciais para o funcionamento e a fiscalização do sistema financeiro nacional.

A previsão é de que sejam ofertadas 120 vagas para analistas e outras 20 destinadas à carreira de procurador. A autorização para os cargos jurídicos já foi comunicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação à Advocacia-Geral da União (AGU), etapa obrigatória para esse tipo de carreira. A liberação das vagas para analistas deve ocorrer em seguida.

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A reposição de pessoal acontece em um momento em que a atuação dos órgãos de supervisão voltou a ser alvo de discussões após a crise envolvendo o Banco Master. O episódio reacendeu o debate sobre a capacidade operacional das equipes responsáveis por acompanhar a saúde das instituições financeiras e identificar riscos ao mercado.

A expectativa é que parte dos novos servidores seja direcionada justamente para a área de supervisão bancária, considerada uma das mais sobrecarregadas do Banco Central. O setor desempenha papel fundamental no monitoramento das instituições financeiras e na prevenção de problemas que possam comprometer a estabilidade do sistema.

Apesar do anúncio, o quantitativo autorizado representa apenas uma parcela da necessidade apontada pelo próprio Banco Central. A autarquia havia solicitado autorização para um concurso com 560 vagas, incluindo 410 analistas, 110 técnicos e 40 procuradores, como forma de recompor um quadro reduzido ao longo dos últimos anos por aposentadorias e pela ausência de novas contratações.

Segundo servidores da instituição, a diminuição do efetivo já afeta áreas estratégicas, como fiscalização, elaboração de normas e tecnologia da informação, setores considerados fundamentais para acompanhar a crescente complexidade do mercado financeiro.

Além do Banco Central, outro órgão ligado ao mercado de capitais também deverá receber reforço. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) terá cerca de 50 novos técnicos, ampliando sua capacidade operacional em atividades de supervisão e regulação.

Enquanto busca recompor seu quadro de pessoal, o Banco Central também acompanha a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia administrativa, financeira e orçamentária da instituição. O texto já avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda análise do plenário.

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Os defensores da proposta afirmam que a mudança permitiria maior independência para administrar recursos, realizar concursos e planejar a política de pessoal. Já dentro do governo, o tema ainda divide opiniões, especialmente em relação aos impactos que a nova autonomia poderia trazer para a gestão das finanças públicas.

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