Antes mesmo da abertura da novela, o público já sabia que se era uma história de Manoel Carlos, certamente havia uma Helena no centro de tudo. As Helenas marcaram as novelas do autor como uma assinatura afetiva, atravessando gerações com dramas familiares, romances intensos e reflexões sobre amor, maternidade e escolhas. Manoel Carlos morreu na terça-feira, aos 92 anos, deixando um dos legados mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira.
Conhecido por ambientar suas tramas no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, Maneco (como era chamado no meio artístico) escreveu sucessos como Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas e Páginas da Vida. Mas foi a repetição do nome Helena que transformou suas protagonistas em um verdadeiro símbolo de sua obra.
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Por que todas se chamavam Helena?
A explicação vem da mitologia grega. Manoel Carlos costumava dizer que o nome era uma referência a Helena de Troia, filha de Zeus e da mortal Leda, conhecida como a mulher mais bela do mundo. Em entrevista ao Conversa com Bial, em 2020, o autor comentou a curiosidade em torno do nome:
“Foi Helena de Troia, e escolhi porque gosto do nome. Curiosamente, tive duas filhas mulheres e nenhuma delas se chama Helena. As pessoas me perguntavam na rua: ‘Foi sua namorada? Sua amante?’. Eu dizia: ‘Não’.”
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Na mesma conversa, Maneco resumiu os traços que uniam suas personagens: mulheres generosas, apaixonadas, despojadas, boas mães e referências familiares, uma combinação que, segundo ele, ajudou a conquistar o público.
As atrizes que deram vida às Helenas
Ao longo de nove novelas, diferentes atrizes marcaram suas próprias versões da personagem. Regina Duarte foi quem mais vezes vestiu o papel: três. A primeira em História de Amor (1995), depois em Por Amor (1997) (uma das Helenas mais lembradas) e, por fim, em Páginas da Vida (2006), quando emocionou o país ao abordar o preconceito contra pessoas com Síndrome de Down.
Lilian Lemmertz foi a primeira Helena, em Baila Comigo (1981). Décadas depois, a personagem ganhou um significado ainda mais simbólico quando foi interpretada por sua filha, Julia Lemmertz, em Em Família (2014), a última novela de Manoel Carlos.
Maitê Proença viveu a doce Leninha em Felicidade (1991). Vera Fischer foi a Helena de Laços de Família (2000), marcada pelo sacrifício ao abrir mão de um grande amor em nome da filha. Já Christiane Torloni protagonizou Mulheres Apaixonadas (2002), vivendo uma mulher que decide recomeçar após 15 anos de casamento.
Taís Araujo entrou para a história como a única Helena negra criada por Manoel Carlos. Em Viver a Vida (2009), interpretou uma modelo internacional que abandona a carreira ao se casar, em uma trama que também discutiu superação e recomeços.
