Como um meteoro que risca o céu e some em segundos, os Mamonas Assassinas marcaram a música brasileira de forma intensa, rápida e inesquecível. Foram pouco mais de 150 shows em cerca de 180 dias, quase 2 milhões de álbuns vendidos em menos de um ano e 25 mil cópias comercializadas em apenas 12 horas. Trinta anos depois de sua partida, o legado do grupo ainda se destaca nas rádios, nos palcos e no imaginário afetivo de fãs de todo o Brasil.

No dia 2 de março de 1996, Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel perderam a vida em um acidente aéreo após um show em Brasília, deixando o Brasil inteiro abalado. Jovens, no auge da fama e da criatividade, os músicos já haviam conquistado multidões com irreverência, bom humor e uma energia contagiante que até hoje desperta nostalgia.

📷 Os Mamonas Assassinas conquistaram o Brasil com irreverência e talento, deixando um legado eterno mesmo após a tragédia que vitimou a banda em 1996. |Divulgação

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O início da carreira

Nascidos e criados em Guarulhos, os integrantes começaram a carreira na banda Utopia, tocando rock e covers de bandas como Guns N’ Roses. Foram anos de batalhas, “nãos” e dificuldades antes de encontrarem o caminho do sucesso com o humor musical que marcou os Mamonas.

Dinho, vocalista e figura carismática, revelou desde cedo sua vocação artística, segundo relato de Hildebrando e Célia Alves, pais do cantor. “Desde criança ele falava: ‘eu vou ser famoso, eu vou ser cantor, eu vou ser um artista’”, lembra a mãe. O talento para composição e reinvenção culminou na transformação da Utopia em Mamonas Assassinas, com apoio do produtor Rick Bonadio.

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Sérgio e Samuel também nasceram em um ambiente musical, guiados pelo pai Ito Reoli, que sempre manteve instrumentos em casa e incentivou o aprendizado dos filhos. Foi a partir dessas experiências que a base do grupo se consolidou, unindo amigos e familiares numa mistura de rock, samba e irreverência.

O sucesso meteórico

Em 1995, o Brasil conheceu os Mamonas como se conhece um fenômeno explosivo e impossível de ignorar. Com agenda lotada de shows, aparições na TV e rádios e o assédio constante dos fãs, a vida dos cinco jovens se transformou em um turbilhão. O público se encantava pelo carisma, pelas piadas e pelo estilo irreverente. Dinho, em especial, conquistou uma legião de fãs femininas, sendo lembrado até hoje como ícone da juventude da época.

As famílias dos músicos acompanharam com orgulho e preocupação cada passo, cientes dos riscos de uma rotina tão intensa. “Às vezes eram dois, três shows no mesmo dia. Eles estavam se habituando a levar uma vida corrida”, contou Célia, mãe de Dinho. Apesar da fama e da correria, os integrantes mantinham contato próximo com os fãs e se preocupavam em retribuir carinho e atenção.

A tragédia

Era pouco mais de 23h do dia 2 de março de 1996 quando o avião modelo LR-25D, matrícula PT-LSD, que transportava a banda de Brasília para Guarulhos, desapareceu do radar. O choque contra a Pedreira Basalto, na Serra da Cantareira, deixou todos os ocupantes mortos, incluindo membros da equipe e o piloto e co-piloto.

📷 |Divulgação/TV Globo

Os familiares viveram horas de desespero e pânico até a confirmação do desastre. “A gente se via no meio de um pesadelo, na realidade”, relembra Célia. O impacto do acidente atravessou fronteiras quando emissoras internacionais noticiaram sobre o grupo, e as músicas continuaram a tocar sem parar nas semanas seguintes.

Luto e memória

O luto afetou cada familiar de forma distinta. Grace Alves, irmã de Dinho, relata que só conseguiu ouvir os Mamonas quase 20 anos depois do acidente. Sueli Reoli, irmã de Sérgio e Samuel, lembra da necessidade de manter a força para a família diante da perda. Ainda assim, a vida seguiu e trouxe pequenos alívios, como a chegada de netos que amenizaram a dor.

📷 |Divulgação

A última ligação de Dinho para Grace, minutos antes do embarque para o que seria o último show da banda, ficou marcada na memória da família: “A gente nunca sabe a última oportunidade de dizer um eu te amo, e depois disso eu aprendi do jeito mais difícil”, disse Grace.

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