WePink tem dois de seus sócios investigados pela Polícia Civil de São Paulo em apuração sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresária conhecida como "Japa do PCC".

A WePink passou a integrar uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP) após os empresários Samara Martins, conhecida como Samara Pink, e Thiago Stabile, sócios da influenciadora Virginia Fonseca na marca de cosméticos, serem chamados para prestar depoimento. O inquérito apura a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como "Japa do PCC", apontada pelas autoridades como integrante de um esquema de movimentação de recursos ligados ao crime organizado. Os empresários devem ser ouvidos nesta sexta-feira (31).

Segundo a investigação, Samara Pink e Thiago Stabile tiveram, no passado, uma sociedade empresarial com Karen Tanaka Mori na expansão da rede Pink Lash, franquia voltada ao setor de beleza. A Polícia Civil busca esclarecer se essa relação comercial possui alguma conexão com o esquema investigado.

Até o momento, não há divulgação de denúncia formal ou acusação contra os sócios da WePink. A investigação está em andamento e tem como objetivo reunir informações sobre a atuação dos envolvidos.

Quer ler mais notícias de fama? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!

Em nota, a assessoria de Virginia Fonseca informou que a influenciadora não irá comentar o caso. A defesa de Samara Pink e Thiago Stabile ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Parceria empresarial antecedeu criação da WePink

Entre 2017 e 2022, Samara Pink e Karen Tanaka Mori integraram a sociedade responsável pela expansão da Pink Lash, rede especializada em extensão de cílios e comercialização de cosméticos. Thiago Stabile passou a integrar a administração da empresa em 2018, fortalecendo o processo de expansão da franquia.

Durante esse período, os três participaram da estrutura societária de diferentes empresas ligadas ao setor de beleza, além de investirem em uma companhia fornecedora de insumos para as unidades da rede.

Em 2021, Samara Pink tornou-se sócia de Virginia Fonseca na fundação da WePink. Atualmente, a influenciadora detém 33% da empresa, que também tem como sócios Samara Pink, Thiago Stabile e Lucas Chaopeng Tan. Em quatro anos de operação, a marca ultrapassou R$ 1,2 bilhão em faturamento acumulado e projeta encerrar 2025 com receita próxima de R$ 1,4 bilhão.

📷 Os sócios de Virginia irão prestar depoimento sobre relação com Japa do PCC |Divulgação

Quem é a "Japa do PCC"

Karen de Moura Tanaka Mori ficou conhecida após ser apontada pela Polícia Civil como responsável por administrar negócios ligados ao patrimônio de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como "Cabelo Duro", identificado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista. Ele morreu em 2018.

📷 Japa do PCC, Virginia e Samara Pink |Divulgação

Conforme a investigação, Karen teria utilizado recursos provenientes do tráfico de drogas para investir em empresas dos setores de beleza, mercado imobiliário e outros empreendimentos com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Ela foi presa em 2024 durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo. Na ocasião, os agentes apreenderam mais de R$ 1 milhão em espécie e cerca de US$ 50 mil, além de outros bens que passaram a integrar a apuração.

O que investigam as autoridades

As investigações também apontam que Wagner Ferreira da Silva fazia parte da chamada "Sintonia Final", considerada pelas autoridades o núcleo de comando do PCC. De acordo com a Polícia Civil, esse grupo seria responsável por decisões estratégicas da facção, incluindo operações financeiras, tráfico internacional e outras atividades criminosas.

O inquérito segue em andamento e busca esclarecer se houve qualquer vínculo entre as relações empresariais mantidas no passado e o suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Civil.

MAIS ACESSADAS