A Copa do Mundo de 2026 promete ser a maior da história, reunindo 48 seleções e sendo disputada em três países pela primeira vez: Estados Unidos, México e Canadá. No entanto, enquanto os preparativos avançam e milhões de torcedores se organizam para acompanhar suas equipes, dificuldades relacionadas à obtenção de vistos já começam a impactar a presença de fãs internacionais no torneio.

A seleção da Costa do Marfim será uma das equipes que sentirão esse impacto de forma direta. Segundo o Comitê Nacional de Torcedores dos Elefantes (CNSE), nenhum dos cerca de 500 torcedores que pretendiam viajar para os Estados Unidos conseguiu obter autorização para entrar no país durante a competição.

Conteúdo relacionado

De acordo com o presidente da entidade, Julien Kouadio Adonis, os pedidos de visto apresentados pelos integrantes da torcida organizada foram recusados de maneira recorrente, tornando inviável a participação do grupo nos jogos da seleção marfinense. Diante das negativas, as caravanas planejadas para acompanhar a equipe tiveram de ser canceladas. A decisão provocou frustração entre os torcedores, que tradicionalmente marcam presença nos grandes eventos do futebol internacional.

Nas participações anteriores da Costa do Marfim em Copas do Mundo, em 2006, 2010 e 2014, grupos organizados viajaram para apoiar a seleção e contribuíram para o ambiente festivo característico do torneio. O episódio também reacendeu discussões sobre as políticas migratórias dos Estados Unidos, um dos anfitriões do Mundial. Casos semelhantes envolvendo cidadãos de outros países vêm sendo relatados às vésperas da competição, levantando questionamentos sobre o acesso de torcedores estrangeiros ao evento.

Lamentação total dos torcedores

Para a Costa do Marfim, o futebol possui um significado que vai além das quatro linhas. Um dos momentos mais emblemáticos da história do país ocorreu em 2005, quando a classificação inédita para uma Copa do Mundo levou o então capitão Didier Drogba a fazer um apelo público pela paz em meio à guerra civil que dividia a nação. O gesto se tornou um símbolo do papel do esporte na promoção da união nacional.

Enquanto a organização da Copa de 2026 destaca a dimensão histórica do torneio, a ausência de torcedores marfinenses nos estádios evidencia os desafios enfrentados por parte do público internacional. Para muitos fãs da Costa do Marfim, a festa do futebol será acompanhada à distância, longe das arquibancadas que esperavam ocupar para apoiar os Elefantes em mais uma participação mundialista.

MAIS ACESSADAS