A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, provocou forte repercussão no universo fitness e levou influenciadores ligados ao esporte a se manifestarem publicamente sobre os riscos envolvendo protocolos hormonais e a cultura da performance extrema. Entre eles, o youtuber, nutricionista e influenciador fitness Rodrigo Góes publicou, na noite da última segunda-feira (25), um vídeo emocionado no qual lamentou a morte do jovem atleta e defendeu uma discussão mais séria sobre os limites do fisiculturismo moderno.
Visivelmente abalado, Góes deixou claro logo nos primeiros minutos que não pretendia transformar a tragédia em disputa de narrativas. "Hoje não é um vídeo de julgamento, não é um vídeo de 'eu avisei', não é um vídeo sobre quem tava certo. É um vídeo triste, muito triste", declarou ao comentar a morte de Ganley.
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“EU PRECISAVA REAGIR COMO UM SER HUMANO"
Durante o pronunciamento, que em menos de 12 horas já ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações, Rodrigo Góes afirmou que demorou para gravar o vídeo porque precisava processar emocionalmente a notícia antes de aparecer diante das câmeras. "Enquanto muita gente correu para postar primeiro, eu precisei primeiro reagir como um ser humano antes de reagir como Rodrigo Góes, o criador de conteúdo”, afirmou.
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O influenciador também prestou solidariedade à família do atleta, especialmente à mãe de Gabriel. "Antes de qualquer coisa que eu vá falar aqui, eu quero deixar meus sentimentos à família dele, principalmente à mãe dele", disse o influenciador. Segundo Góes, Gabriel não era apenas mais um personagem frequente em seus vídeos sobre o universo fitness. "O Gabriel não era um nome aleatório no meu canal. Eu acompanhei a trajetória dele de perto", comentou.
LAUDO AFASTOU HIPÓTESE INICIAL
Ao longo do vídeo, Rodrigo Góes explicou que decidiu esperar informações oficiais antes de comentar o caso, apesar da enxurrada de especulações que surgiram nas redes sociais nas primeiras horas após a morte. "Minha DM tava pipocando, as pessoas me ligando sem parar", contou.
Segundo ele, muitos comentários apontavam inicialmente para uma possível hipoglicemia associada ao uso de insulina no fisiculturismo. No entanto, Góes afirmou que evitou antecipar conclusões. "Muita gente cravou essa narrativa. Eu não cravei", disse.
O influenciador ressaltou que o atestado de óbito apontou como causa da morte uma cardiomiopatia hipertrófica, doença cardíaca considerada uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens. "A causa oficial da morte do Gabriel não foi hipoglicemia, foi cardiomiopatia hipertrófica", afirmou.
"OS ANABOLIZANTES AMPLIFICAM O PROBLEMA"
Apesar de reconhecer o componente genético da doença, Rodrigo Góes fez um alerta sobre o impacto do uso intenso de hormônios e protocolos extremos no organismo. "Se o coração já tem essa predisposição, os anabolizantes amplificam o problema", declarou.
De acordo com ele, a combinação entre predisposição cardíaca, desidratação severa, estresse físico extremo e uso pesado de hormônios representa um cenário de alto risco. "O esporte que ele amava pode ter acelerado o que aconteceu sábado", afirmou. Em outro momento, Góes destacou que a relação entre fisiculturismo de alto rendimento e problemas cardiovasculares não pode ser ignorada. "A gente sabe cientificamente que essa combinação é extremamente perigosa”, disse.
CRÍTICA AO USO DE HORMÔNIOS POR JOVENS ATLETAS
Rodrigo Góes voltou a defender uma posição recorrente em seu canal: a oposição ao uso de hormônios por atletas muito jovens. "Eu sou contra o uso de hormônios em atletas jovens", afirmou. Segundo o nutricionista, pessoas com menos de 25 anos ainda passam por processos importantes de amadurecimento cerebral e fisiológico. "O cérebro termina de se formar por volta dos 25 anos", explicou.
Ele também alertou que acompanhamento médico não elimina completamente os riscos envolvidos no uso dessas substâncias. “Médico não torna o uso seguro. Médico faz um controle de danos", declarou Góes, ressaltando ainda a importância de exames cardíacos preventivos, como ecocardiograma e eletrocardiograma, principalmente entre atletas submetidos a protocolos hormonais intensos. "É isso que pode pegar uma alteração silenciosa antes de virar uma morte súbita", afirmou.
"DÓI MUITO"
Em um dos trechos mais emocionados do vídeo, Rodrigo Góes lembrou que havia gravado recentemente um conteúdo demonstrando preocupação com a saúde cardíaca de Gabriel Ganley. “Eu tava preocupado com o coração deles”, disse ao mencionar um vídeo publicado semanas antes.
O influenciador afirmou que chegou a recomendar acompanhamento médico especializado para atletas de alto rendimento. "Eu não tô falando isso para dizer que eu tava certo. Eu tô falando isso porque dói", declarou. Visivelmente emocionado, completou: "Dói muito ter feito esse alerta e ter visto duas semanas depois exatamente o tipo de desfecho que eu temia".
"NENHUMA VISUALIZAÇÃO VALE A VIDA"
Na reta final do pronunciamento, Rodrigo Góes ampliou a discussão para o cenário atual do fisiculturismo e criticou a banalização de protocolos hormonais nas redes sociais. "O problema do fisiculturismo moderno não é simplesmente o uso do suco. O problema é a banalização", afirmou.
Segundo o nutricionista, adolescentes têm reproduzido protocolos avançados sem qualquer preparo ou acompanhamento médico. "É protocolo de atleta profissional sendo copiado por pessoas sem cardiologista, sem exame em dia, sem preparo nenhum", criticou Góes, que também afirmou que o esporte vive uma cultura baseada no choque, na busca pelo corpo extremo e pela viralização nas redes. "Não existe razão nenhuma para um menino de 22 anos estar fazendo protocolo pesado”, declarou.
Ao encerrar o vídeo, o influenciador fez um apelo direto ao público. "Nenhuma visualização vale a vida", disse, aproveitando para recomendar que praticantes de musculação e usuários de substâncias hormonais realizem avaliações cardíacas completas. "Saúde não pode virar aposta e nenhum físico vale mais do que continuar vivo", concluiu antes de se despedir do jovem atleta. "Descanse em paz, Gabriel."
