O peso de um clássico geralmente é enumerado através de vários fatores: contexto histórico, quantidade de jogos, tradição das equipes, peso da torcida, e principalmente a imensa rivalidade que há dentro de uma cidade, estado e até mesmo dentro de um país. Neste domingo, dia 8, Paysandu e Clube do Remo escrevem o capítulo de número 781 dessa história centenária. Trata-se do clássico mais jogado do futebol em todo o planeta.

O que poderia, à primeira vista, torná-lo comum é justamente o que o engrandece. Quando o Re-Pa acontece, Belém muda de humor, a tensão toma conta das ruas e a expectativa pelo dia seguinte — recheado de provocações e silêncios — paira no ar. Pouco importa a fase ou a posição na tabela: o clássico costuma nivelar forças, ainda que, neste momento, os clubes vivam realidades bem distintas.

Conteúdo relacionado

Momentos opostos, rivalidade intacta

Atualmente, o Remo vive um cenário mais favorável. Disputando a Série A do Campeonato Brasileiro, o clube azulino conta com um investimento muito superior ao do maior rival, embora ainda esteja distante do patamar que espera alcançar na elite nacional. Do outro lado, o Paysandu tenta se reerguer após o rebaixamento à Série C. Em meio a uma crise financeira, o Papão reduziu consideravelmente seus gastos, apostando em jogadores vindos de ligas menores ou em busca de afirmação no futebol profissional.

Enquanto o Remo apresenta um elenco recheado de nomes conhecidos do cenário nacional, muitos deles com currículos vitoriosos, o Paysandu aposta mais no coletivo e na reconstrução. Ainda assim, prever o que acontecerá às 17h, no Mangueirão, é tarefa ingrata. A tradição mostra que equilíbrio é quase regra nesse confronto, e a história insiste em contrariar qualquer favoritismo.

Temporada de desafios para Leão e Papão

Para o Paysandu, vencer o clássico tem um peso especial. A temporada promete ser dura, com o objetivo claro de retornar, ao menos, à Série B. Já o Remo encara um 2026 igualmente desafiador, mas em outro patamar. Após 32 anos longe da elite, o Leão Azul volta a saborear o “filé mignon” do futebol brasileiro, dividido com os principais clubes do país. Permanecer na Série A é a grande meta, e o Parazão, embora importante no discurso, surge quase como detalhe no planejamento.

Os mistérios de Osorio no Leão

O técnico Juan Carlos Osorio tem utilizado formações alternativas no Campeonato Paraense. Na rodada anterior, contra o Águia de Marabá, o Remo foi dominante: não brilhou, mas foi eficiente, seguro e objetivo. A atuação levanta a possibilidade de repetição da equipe no clássico, embora o treinador colombiano tenha sinalizado que pretende mesclar jogadores do estadual com atletas que vêm atuando na Série A.

“Não posso pensar como o torcedor. Tenho um elenco grande e quero reduzir, todos precisam ter oportunidade. Sobre o jogo do Paysandu, eu entendo que é um rival, é o dérbi da cidade, mas vamos enfrentá-lo com uma equipe mista”, explicou Osorio.

Estratégias e construção no Paysandu

Na Curuzu, o clássico é visto como oportunidade de injeção anímica. Para o técnico Júnior Rocha, vencer o rival seria fundamental para fortalecer o trabalho em andamento. Ainda em busca de uma formação ideal e de melhor condição física, o Papão vinha de duas vitórias, mas sofreu um revés no meio da semana ao perder por 1 a 0 para a Tuna, em uma partida com baixo poder ofensivo.

“Vamos ter oscilações. Estamos em construção de modelo de jogo e isso é natural. Claro que queria um rendimento melhor, mas não vejo muita diferença em relação ao que acontece no resto do país”, avaliou o treinador bicolor.

Muito mais que três pontos

Na prática, o clássico pouco altera a situação das equipes no Parazão. O Remo lidera a primeira fase com sete pontos, apenas um a mais que o Paysandu, e a chance de eliminação precoce é mínima para ambos. Tudo indica que os rivais voltarão a se encontrar mais adiante, seja em uma semifinal ou, como tem sido frequente, na grande decisão.

MAIS ACESSADAS