Gianni Infantino anuncia desistência da venda de participação da Fifa devido à resistência de confederações continentais. Entenda os motivos.

Após o jornal espanhol El Español publicar que Espanha e Portugal estudavam retirar a candidatura conjunta para sediar a Copa do Mundo de 2030, ao lado do Marrocos, caso a Fifa mantivesse o projeto de vender parte de suas competições a investidores privados, a entidade desistiu do projeto em anúncio feito nesta sexta-feira (31) pelo presidente Gianni Infantino. Ele  afirmou ter recuado da proposta após a forte repercussão negativa e a resistência demonstrada pelas confederações continentais.

Em comunicado oficial, Infantino explicou que a iniciativa tinha como objetivo ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol mundial, principalmente em países com menor capacidade financeira. No entanto, segundo ele, o projeto deixou de cumprir esse propósito ao provocar divisões entre os membros da entidade.

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Na nota divulgada pela Fifa, o dirigente afirmou que o projeto, batizado de Fifa Forward Enterprise (FFE), sempre esteve condicionado ao apoio da maioria das associações nacionais filiadas, além de depender de consultas ao Conselho da Fifa, às confederações e às demais partes interessadas.

Após ouvir os posicionamentos das entidades, Infantino concluiu que a proposta já não reunia as condições necessárias para seguir adiante.

"Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação", afirmou.

O presidente acrescentou que pretende reunir novamente as confederações e federações nas próximas semanas para discutir alternativas voltadas ao fortalecimento do futebol em todo o mundo.

Confederações rejeitaram proposta

A desistência ocorreu após manifestações contrárias de diversas confederações continentais.

A Uefa foi a primeira a criticar publicamente o projeto e chegou a cogitar um boicote caso a proposta fosse levada adiante. Posteriormente, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também demonstraram oposição.

A Conmebol oficializou sua posição na sexta-feira (31), reforçando o coro contrário ao plano. Já as confederações da África (CAF) e da Oceania (OFC) convocaram reuniões para discutir o tema antes da decisão final da Fifa.

O que previa o projeto

O Fifa Forward Enterprise seria uma subsidiária com controle majoritário da Fifa, responsável por administrar os ativos comerciais e as principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.

Com a entrada de investidores privados, a expectativa era ampliar significativamente as receitas da entidade. Segundo o projeto, cada federação filiada poderia receber US$ 20 milhões (cerca de R$ 102 milhões) no ciclo de 2027 a 2030, valor superior aos US$ 8 milhões previstos atualmente.

Na prática, a proposta permitiria que investidores participassem da exploração comercial dos principais torneios da Fifa, em uma estratégia voltada para ampliar receitas e aumentar os investimentos no desenvolvimento do futebol mundial.

Com a retirada da proposta, a entidade informou que buscará novas formas de fortalecer suas associações nacionais sem provocar divisões entre seus membros.

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