Após a divulgação exclusiva do DOL sobre o pedido de recuperação judicial, o presidente do Paysandu, Márcio Tuma, concedeu entrevista coletiva na tarde deste sábado (21), com transmissão ao vivo pela PapãoTV no YouTube, para explicar a decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial do clube alviceleste.

A medida foi assinada na última sexta-feira (20) pelo juiz Ivan Delaquis Perez, da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém. Na decisão, o magistrado reconheceu que, embora o Paysandu seja constituído como associação civil, exerce atividade econômica e, por isso, pode recorrer ao instrumento previsto na Lei 11.101/2005 para tentar superar a crise financeira e evitar a falência.

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Conforme documento (de domínio público) a justiça se posiciona sobre o pedido do @Paysandu de RECUPERAÇÃO JUDICIAL, atribuindo à causa o valor de R$ 16.762.086,24

Em contato com o diretor jurídico Bruno Castro, ele me informa:

"O clube,… pic.twitter.com/PxZx9w8mEC

— Magno Fernandes (@Cf27Magno) February 21, 2026

Segundo Márcio Tuma, a recuperação judicial garante a proteção dos bens e patrimônios do clube durante o processo de negociação com os credores. Com o deferimento, ficam suspensas temporariamente execuções e bloqueios, abrindo caminho para uma renegociação estruturada das dívidas. O presidente informou que o passivo declarado é de aproximadamente R$ 16 milhões.

Débitos ainda não reconhecidos não estão incluídos nesse montante. Entre os fatores que contribuíram para a crise estão dificuldades no pagamento de funcionários, tributos e fornecedores, além de instabilidade esportiva, com quedas de divisão no Campeonato Brasileiro e altos custos operacionais. Para Tuma, a decisão judicial representa um “divisor de águas” e um “marco” na atual gestão.

Paysandu terá que gastar menos

Inicialmente, Tuma acentuou que a recuperação é um fator positivo. "É com muita responsabilidade, transparência e respeito, que nós conseguimos dar uma satisfação a vocês de como iremos parar os débitos do Paysandu. O prazo de 90 dias que tínhamos dado para mostrar como quitar esses débitos, mas em exatos 60 dias, trabalhando intensamente com os setores financeiros e jurídicos, sem prejudicar o clube", disse.

"No dia de ontem, recebemos a informação de deferimento dessa situação. Apesar de ser uma situação de débito e crise financeira, vejo como um divisor de águas para o Paysandu Sport Club. São débitos não apenas de 2024, 2025, mas de muitas temporadas que se acumularam e de alguma maneira tentando fazer o pagamento, mas que renderam prejuízo ao Paysandu", detalhou.

Paysandu acompanha outros casos do futebol nacional

Ele destacou que o processo permitirá um prazo maior para reorganização financeira e posterior pagamento dos débitos acumulados ao longo dos anos. Além do mais, destacou que o Paysandu segue o mesmo exemplo de tantos outros clubes no futebol brasileiro - casos de Coritiba, Chapecoense, Cruzeiro e agora também o Internacional - que também buscaram recuperação judicial.

"E como falamos antes, esse processo é um marco para a gestão. Repito: um divisor de águas. E como é algo tão importante, buscamos um escritório especializado neste tipo de processo que tramitou com a Chapecoense e o Coritiba. O resultado já começou a vir. Estamos somente no início nesse processo, pois o Paysandu não ficará em recuperação para sempre. Vemos uma possibilidade grande da diminuição do equacionamento das dívidas e pode resultar em redução do passivo do Paysandu", disse Tuma.

Reestruturação do Paysandu

"O processo de Paysandu precisa gastar menos do que arrecadar”, ressaltou o dirigente, defendendo que a recuperação judicial é um mecanismo para que instituições viáveis possam se reestruturar e honrar seus compromissos. Esse é mais um passo em recolocar o Paysandu de forma sustentável na elite do futebol brasileiro, como também destacou Márcio Tuma.

"Eu sempre vou repetir a frase: o que acontece dentro de campo, reflete o que acontece fora. Esse trabalho de reestruturação, de pagamentos em dia, de respeito aos colaboradores, e estamos vendo o apoio da torcida nestes 60 dias, tem sido muito importante. E no ponto de vista jurídico, o deferimento da recuperação judicial foi uma grande vitória do Paysandu. E vai permitir que isso seja o início de novos princípios de gestão e vai levar nosso clube aos destaques do futebol brasileiro", pontuou.

Convocou a torcida para mais uma decisão

Ao final da coletiva, o presidente convocou a torcida para o próximo compromisso da equipe, válido pela semifinal do Campeonato Paraense, no Estádio da Curuzu. Ele reiterou, ainda, a importância do apoio da torcida dentro e fora de campo e pede, ainda, que a torcida siga apoiando o clube, especialmente no próximo compromisso do Paysandu

 “Venha, compareça em massa, pois o nosso caldeirão não é o mesmo sem a nossa torcida. Vamos fazer uma grande festa, com todo respeito ao adversário, que teve méritos em chegar a essa semifinal, mas vamos buscar a vaga para mais uma final. Vamos juntos, compre o ingresso e vamos para cima!”, concluiu o mandatário dando ênfase ao jogo deste domingo entre Paysandu x Castanhal, às 17h, no Estádio da Curuzu, pela semifinal do Campeonato Paraense.

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