De volta ao Paysandu, agora como preparador de goleiros, Emerson carrega na memória um período que ajudou a eternizar o nome na Curuzu. Em entrevista exclusiva ao DOL, o ex-camisa 1 relembrou o momento mais marcante da passagem pelo clube.
Foram 1.108 minutos sem sofrer gols, em uma sequência que atravessou 11 rodadas e consolidou o Papão como dono da oitava melhor defesa da Série B de 2016. O feito começou em um jogo fora de casa e virou combustível para o grupo crescer na competição.
''A lembrança bacana que eu tenho é do início da competição. Tenho na minha memória que ficamos 11 jogos invictos e sem sofrer gol. Para mim, marcou muito isso'', destacou.
O ponto de partida foi uma partida contra o Red Bull Bragantino, vencida por 3 a 0 pelos bicolores. Segundo Emerson, aquele confronto serviu como divisor de águas para o elenco entender a força defensiva.
''Essa história iniciou no jogo contra o Red Bull Bragantino, onde vencemos, mas também fomos bombardeados. Depois daquele momento, vimos que tínhamos uma equipe bem sólida, firme'', ressaltou
Sob o comando do técnico Gilmar Dal Pozzo, o Paysandu encaixou uma sequência histórica. Para o ex-goleiro, a experiência do treinador na divisão foi determinante para sustentar o alto nível competitivo.
''O treinador naquela época era o Gilmar Dal Pozzo, um cara que sabia jogar a divisão. Para mim foi um marco onde iniciou a sequência de 1.108 minutos sem sofrer gols. Foi fundamental'', pontuou.
Ao longo de três temporadas no clube, Emerson disputou 165 partidas oficiais. Um dado chama atenção: em todas elas, sofreu menos gols do que o número de jogos realizados, cenário comparável a um atacante que marca mais vezes do que atua.
Na temporada 2015 foram 52 jogos e 51 gols sofridos. Em 2016, 60 partidas e 55 gols. Já em 2017, atuou 53 vezes e sofreu 50 gols, mantendo regularidade defensiva que o fez entrar na seleta lista de ídolos do clube.
''Tem outros jogos. Foram muitos, ao todo, 165 jogando com a camisa do Paysandu. Imagina escolher apenas um. Mas as lembranças que tenho aqui são ímpares e nunca serão apagadas da memória'', comentou.
Aos 43 anos, aposentado dos gramados, Emerson retorna ao clube onde construiu uma das fases mais sólidas da história recente bicolor, agora com a missão de preparar uma nova geração de goleiros na Curuzu.
ÍDOLO DA FIEL BICOLOR
Com os números expressivos e da sequência histórica sem sofrer gols, Emerson conseguiu construir uma relação forte com a torcida bicolor. O reconhecimento nas ruas de Belém é reflexo direto do desempenho dentro de campo. Com a camisa bicolor, conquistou o bicampeonato paraense (2016 e 2017) e a Copa Verde de 2016.
''Fico feliz de ter entrado na galeria de ídolos do clube. É uma responsabilidade muito grande e quem chega ao Paysandu sabe o peso que essa camisa tem'', disse.
De volta ao clube, agora em nova função, o ex-goleiro admite que carregar o rótulo de ídolo é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade diante da história do Papão.
''Se tratando de goleiros, a responsabilidade é ainda mais, pois a margem para erros é baixíssima. Conseguimos corresponder e conquistar o carinho e respeito da torcida em Belém. Hoje, posso sair na cidade, ser reconhecido e respeitado pelo torcedor por conta daquele tempo'', finalizou.
