O Paysandu voltou a decepcionar na Curuzu. Diante do Santa Cruz, o Papão foi derrotado por 3 a 1 neste sábado (27), pela 12ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, conheceu o segundo revés consecutivo como mandante e viu o adversário conquistar a primeira vitória da história dentro do Vovô da Cidade.

O resultado ainda chamou atenção por outro motivo: o Santinha havia marcado apenas oito gols em 11 rodadas e balançou as redes três vezes em Belém, igualando quase 40% de toda a produção ofensiva que tinha na competição.

A derrota interrompe a reação construída com a vitória sobre o Maranhão e pode fazer a equipe de de Júnior Rocha terminar a rodada na sexta colocação, estacionada com 20 pontos. Mais do que o resultado, a atuação reforçou problemas que vêm acompanhando o Lobo, principalmente na consistência defensiva e na dificuldade de transformar superioridade em pontos.

Mesmo iniciando a partida com maior volume de jogo e controlando as ações ofensivas, o Paysandu voltou a cometer erros decisivos. O Santa Cruz foi eficiente nas poucas oportunidades que criou, aproveitou as fragilidades da defesa bicolor e construiu um triunfo histórico fora de casa, fazendo a equipe entrar no G-8 com 18 pontos e assumindo a sétima colocação.

O roteiro da partida voltou a expor uma deficiência recorrente da equipe. O Papão sofreu novamente com bolas aéreas, perdeu força ofensiva depois de sair atrás do placar e deixou escapar mais uma oportunidade diante da torcida, aumentando a pressão para a sequência da Série C.

Primeiro Tempo:

O Paysandu dominou as ações nos minutos iniciais, controlando a posse de bola e empurrando o Santa Cruz para o campo de defesa. Com os laterais bastante participativos, principalmente Edilson pela direita, a equipe de Júnior Rocha buscou triangulações e cruzamentos para tentar furar a marcação pernambucana.

A superioridade bicolor também apareceu na pressão pós-perda e na quantidade de escanteios conquistados. Nos primeiros 15 minutos, o Papão acumulou cinco cobranças de tiro de canto, todas pelo lado direito, mantendo o adversário praticamente restrito às ações defensivas e sem conseguir encaixar contra-ataques.

Apesar do bom volume ofensivo, o time paraense voltou a esbarrar na falta de eficiência nas finalizações. A primeiea boa oportunidade surgiu aos 18 minutos, quando Marcinho recebeu livre dentro da área, mas finalizou por cima do travessão. Logo depois, outras chegadas envolveram Kleiton Pego, Thayllon, Juninho e Henrico, porém sem o capricho necessário no último toque.

O panorama da partida mudou na primeira investida perigosa dos visitantes. Em cobrança de escanteio, aos 26 minutos, Juninho acabou desviando contra o próprio patrimônio, colocando os pernambucanos em vantagem. O lance voltou a expor uma dificuldade recorrente do Paysandu na temporada: a vulnerabilidade nas bolas aéreas.

Mesmo após sofrer o gol, o Lobo tentou responder rapidamente e criou outra grande oportunidade aos 32 minutos. Juninho apareceu cara a cara com o goleiro Gabriel Souza, mas finalizou para fora, desperdiçando a chance do empate. Na sequência, o Santinha reduziu ainda mais os espaços e passou a administrar o resultado.

Com a partida mais travada nos minutos finais, o Paysandu perdeu intensidade e encontrou dificuldades para transformar posse de bola em chances claras. Já o Santa Cruz aproveitou os espaços deixados pela equipe bicolor e, em um contra-ataque nos acréscimos, Everaldo marcou o segundo gol, ampliando a vantagem e castigando um primeiro tempo em que o Paysandu produziu mais, mas voltou a pagar caro pela falta de efetividade e pelas falhas defensivas.

Segundo Tempo:

Na tentativa de mudar o panorama da partida, Júnior Rocha promoveu a entrada de Ítalo no intervalo, abrindo mão de Thayllon e deixando o Paysandu mais forte no jogo aéreo. A equipe voltou com postura agressiva, manteve a posse de bola e ocupou o campo de ataque, mas seguiu encontrando dificuldades para transformar o volume em oportunidades claras.

O Santa Cruz manteve a estratégia adotada no primeiro tempo. Bem compactado defensivamente, o time pernambucano fechou os espaços entre as linhas e obrigou o Paysandu a circular a bola sem conseguir infiltrações ou finalizações de maior perigo.

Em busca de novas alternativas, Júnior Rocha voltou a mexer na equipe aos 17 minutos, lançando Thallyson e Lucas Cardoso nas vagas de Edilson e Henrico. A mudança deu mais presença ofensiva, e logo depois Lucas Cardoso obrigou Gabriel Souza a fazer boa defesa em cabeçada, na primeira grande oportunidade bicolor após o intervalo.

O momento de reação, porém, foi interrompido pela eficiência do adversário. Em mais um ataque bem executado, Fabinho marcou o terceiro gol do Santa Cruz, ampliando a vantagem e praticamente liquidando a partida. O Paysandu ainda descontou poucos minutos depois, com Juninho, mas o gol serviu apenas para diminuir o prejuízo.

Nos minutos finais, o treinador bicolor promoveu as entradas de Iarley e Kauã Hinkel. O Paysandu passou a rondar a área adversária, porém encontrou um Santa Cruz seguro, bem postado e disposto a administrar o resultado até o apito final.

A derrota voltou a escancarar problemas que vêm acompanhando o Paysandu ao longo da Série C. Mesmo tendo maior posse de bola e mais presença ofensiva durante boa parte do jogo, a equipe mostrou pouca criatividade no último terço, sofreu defensivamente quando foi exigida e aumentou a pressão por reforços para a sequência da competição. O resultado também permitiu a aproximação dos concorrentes na tabela, reduzindo a margem de tranquilidade do Papão na luta pela classificação.

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