A derrota por 2 a 1 para o Brusque, na estreia do Quadrangular, expôs novamente a falta de repertório do Paysandu. Mais do que o resultado, a atuação no Mangueirão reforçou a dependência de soluções individuais e colocou em discussão a necessidade de mudanças na equipe para os cinco jogos restantes.
Previsibilidade
Há uma previsibilidade incômoda no jogo do Papão. A equipe mantém a posse, troca passes e chega ao campo adversário, mas encontra dificuldades para transformar esse domínio territorial em oportunidades realmente claras e, principalmente, em gols.
Os números ajudam a explicar a contradição. O Lobo teve 62% de posse, finalizou 25 vezes e acertou o alvo em oito oportunidades, enquanto o Brusque teve nove chutes e apenas dois no gol. Ainda assim, os catarinenses saíram vencedores.
Isso acontece porque volume não é necessariamente controle. O Papão teve muitas finalizações de fora da área e encontrou pouca clareza quando precisou atacar espaços próximos à meta adversária. No primeiro tempo, por exemplo, apenas duas conclusões levaram perigo.
Uma delas foi de Caio Mello, defendida pelo goleiro. A outra terminou no gol de Marcinho, em cobrança de falta. Na etapa final, Kleiton Pego também ameaçou logo no início, mas novamente de média distância, antes de uma grande defesa de Matheus Nogueira.
Problema tático
O cenário fica ainda mais preocupante quando se observa o comportamento sem a bola. O Paysandu não conseguiu proteger bem o espaço entre meio-campo e defesa, permitindo que o Marreco encontrasse "buracos" para acelerar as jogadas e atacar uma região vulnerável.
E aí aparece uma questão que precisa ser discutida com cuidado: o desenho atual parece potencializar algumas limitações do próprio elenco. Marcinho é indispensável pela capacidade de criação e liderança, mas não é um jogador cuja a característica se aproxime da marcação.
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Ao lado dele, Caio Mello oferece cadência e qualidade na construção, mas também não entrega a intensidade defensiva de um volante de combate. Com isso, Pedro Henrique acaba tendo uma responsabilidade ainda maior para equilibrar o setor e, ontem, por exemplo, precisou fazer a cobertura nas costas de Luciano Taboca, deixando espaço aberto no meio.
Não por acaso, o Brusque encontrou brechas justamente nesse corredor entre a proteção do meio e a última linha. Não se trata de responsabilizar individualmente um jogador, mas de questionar se a estrutura utilizada atualmente é a mais adequada para as características disponíveis.
Júnior Rocha já mostrou que pode buscar alternativas. Na vitória por 1 a 0 sobre o Ituano, por exemplo, o Paysandu atuou no 3-4-3 em um contexto no qual Marcinho estava lesionado e fora de combate. Talvez esteja justamente aí uma possibilidade de reflexão para as cinco partidas restantes, mas não necessariamente neste esquema, já que o meia é indispensável nesse elenco.
Limitações do elenco
Um 4-4-2, por exemplo, poderia oferecer maior presença no meio e liberar Marcinho de algumas obrigações defensivas, aproximando-o mais dos homens do ataque. O importante, neste momento, é encontrar uma maneira diferente de atacar e proteger a equipe.
A derrota também precisa ser colocada dentro de um contexto maior. O Paysandu chega ao quadrangular carregando limitações financeiras que interferiram na montagem do elenco, enquanto os reforços contratados até aqui ainda não produziram uma transformação significativa no time.
Isso não significa que as contratações sejam necessariamente ruins ou que estejam condenadas ao fracasso. A questão é mais simples: até aqui, nenhum dos jogadores que chegaram conseguiu alterar de forma significativa o patamar coletivo da equipe.
Notas da equipe
Renan Castro, porém, merece uma menção diferente. Na estreia, entrou no segundo tempo e apresentou segurança, participação na construção e bons números: acertou 29 dos 30 passes e ganhou três dos quatro duelos pelo chão.
Brian também trouxe outra dinâmica quando entrou, enquanto Marcinho foi novamente o principal ponto de desequilíbrio. Com gol, seis passes decisivos e duas finalizações no alvo, terminou como o melhor jogador em campo na avaliação do SofaScore, com nota 7,9.
O restante da equipe, porém, ficou abaixo do que se esperava para uma partida deste peso. As notas mostram um desempenho coletivo sem grandes destaques, reforçando a impressão de que o Paysandu depende demais de momentos individuais para modificar o rumo dos jogos.
Necessidade de mudança
É preciso evitar, entretanto, qualquer sentença definitiva. O Papão perdeu a primeira partida do quadrangular, mas ainda tem cinco jogos pela frente. O que a derrota contra o Brusque escancara é outra coisa: o Paysandu chegou a um ponto em que insistir apenas nas mesmas soluções vai ser arriscado.
O elenco tem limitações, mas talvez ainda exista espaço para Júnior Rocha reinventar a maneira como esse time joga. Essa mudança, porém, precisa ser feita de maneira urgente, especialmente porque o calendário não oferece muito espaço para recuperação.
O próximo compromisso será no domingo (13/09), contra a Ferroviária, às 16h, no Estádio Fonte Luminosa. Será mais uma oportunidade para o treinador encontrar respostas e mostrar que o Paysandu ainda pode apresentar um repertório diferente nesta reta decisiva.
