Entre voos longos, orçamento inflado e pressão inédita, o Clube do Remo começa a desenhar a temporada mais complexa da história. De volta à Série A após 32 anos, o Leão Azul terá em 2026 um planejamento financeiro estimado em R$ 150 milhões, valor que redefine o patamar do clube na elite nacional. A apuração é do repórter Murillo César Alves, do site Trivela.
O salto orçamentário acompanha um calendário pesado. Além do Campeonato Brasileiro, o Remo estará envolvido na Copa do Brasil, a partir da quinta fase, na Copa Verde, no Campeonato Paraense e na Supercopa Grão-Pará, ampliando o desgaste físico e as exigências fora de campo.
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A logística surge como um adversário constante. Com 17 dos 20 clubes da Série A concentrados no Sul e Sudeste, o Remo será obrigado a enfrentar longas travessias ao longo da competição, situação que impõe desafios à preparação e à recuperação do elenco.
"Os outros clubes vão precisar viajar para Belém, mas apenas uma vez. Nós teremos de nos deslocar 19 vezes ao longo do campeonato", reconheceu o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, em entrevista à Trivela.
O cenário ficou ainda mais desfavorável após o rebaixamento de equipes do Nordeste em 2025, o que diminuiu confrontos geograficamente mais próximos. Belém está a cerca de 3 mil quilômetros de São Paulo, estado que concentra cinco adversários do Remo na Série A.
Mesmo com a ampliação do orçamento, sendo três vezes maior que o utilizado na campanha do acesso, o clube admite que não conseguirá recorrer a voos fretados em todas as partidas. Em 2025, essa alternativa foi usada de forma pontual, com o aluguel da aeronave do Palmeiras.
"Pelo rebaixamento de alguns clubes do Nordeste, esse problema se agravou", afirmou Tonhão.
Para tentar reduzir o impacto das viagens, a diretoria já abriu diálogo com a CBF, buscando adequações no planejamento aéreo sempre que o calendário permitir, priorizando trajetos menos desgastantes.
Enquanto ajusta a logística, o Remo também passa por reformulações no elenco. Pedro Rocha, um dos nomes mais relevantes do acesso, deixou o clube rumo ao Coritiba. Para suprir a lacuna no ataque, a diretoria apostou na contratação de Alef Manga.
Entre as renovações, o Remo garantiu a permanência de Marcelo Rangel, goleiro titular nas campanhas de acesso da Série C e da Série B, mantido como referência do elenco para o novo desafio.
Apesar da pressão financeira natural da Série A, a diretoria descarta, ao menos neste momento, abrir mão de jogos em Belém diante de adversários de maior apelo.
"Eu seria traidor com a minha torcida. Na hora do filé, não posso levar, por causa de uma condição financeira melhor, o jogo para outra cidade", relatou o dirigente.
O discurso deixa claro que o retorno à elite não vem acompanhado de pensamento defensivo. Internamente, o Filho da Glória e do Triunfo projeta mais do que a permanência na elite e sonha com uma competição sul-americana.
"Não posso pensar em só me manter na Série A, porque aí acaba sendo rebaixado. O Remo sempre pensou grande", concluiu Tonhão.
