A chegada de Juan Carlos Osorio ao Clube do Remo marcou uma nova fase para o Leão Azul justamente em uma das temporadas mais exigentes da história recente. Estrangeiro, experiente e conhecido pela constante rotação de elenco, o treinador assumiu o comando em um calendário apertado, com Campeonato Brasileiro e Campeonato Paraense sendo disputados de forma simultânea.
De volta à elite nacional após 32 anos, o Leão vive um momento de reconstrução e busca por consolidação. A diretoria trabalha para ampliar receitas e estruturar o clube para se firmar entre os grandes do futebol brasileiro. Dentro de campo, a solução encontrada foi dividir forças: a equipe considerada titular atua no Brasileirão, enquanto um time alternativo disputa o estadual.
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O início, porém, já trouxe sinais de alerta. Na estreia da Série A, o Clube de Periçá foi derrotado pelo Vitória por 2 a 0, fora de casa. Mesmo com alguns jogadores ainda não podendo atuar, as substituições promovidas por Osorio durante a partida acabaram desorganizando o time e gerando críticas do torcedor.
O resultado aumentou a desconfiança de parte da torcida, especialmente pelo estilo do treinador, que raramente repete formações. A fama de "inventor", com mudanças frequentes na escalação, sempre acompanhou Osorio por onde passou.
No Baenão, essa característica começa a ser observada com cautela pelos torcedores, que temem falta de entrosamento em um momento que exige solidez e regularidade. Para se ter uma ideia, Osorio já usou mais de 30 jogadores em apenas quatro partidas do ano.
Pelo Campeonato Paraense, o empate diante do São Francisco também não foi bem recebido. Mesmo com equipe reserva e gramado em más condições, o resultado ampliou o clima de cobrança. Para o torcedor, pouco importa o contexto: o que vale é somar pontos e manter o Remo competitivo em todas as frentes.
Agora, o compromisso desta quarta-feira (4), contra o Mirassol, no Mangueirão, ganha contornos decisivos. Jogando em casa, pela segunda rodada do Brasileirão, o Filho da Glória e do Triunfo precisa vencer para evitar que a pressão aumente logo no início da caminhada na Série A.
O cenário indica que Osorio já não pode se dar ao luxo de errar, seja nas escolhas iniciais, seja nas alterações ao longo do jogo. Em uma competição de alto nível, qualquer desorganização custa caro e qualquer coisa que não seja os três pontos será cobrado.
Ao mesmo tempo, a diretoria segue reforçando o elenco. Nomes como Rafael Monti, Vitor Bueno, Leonel Picco e Franco Catarozzi chegam para ampliar opções e elevar o nível técnico do grupo. O desafio agora é encontrar rapidamente uma base sólida, capaz de sustentar o Remo tanto no Brasileirão quanto no Parazão.
Como se não bastasse, no próximo domingo o Leão Azul encara o clássico Re-Pa contra o Paysandu, outro teste de fogo para o treinador. Um resultado negativo nesta quarta (4) pode acelerar ainda mais a cobrança diante de um rival que vive um processo de reconstrução e a vitória é vista como obrigação - ao menos pelo torcedor.
Mesmo em início de projeto, a realidade do futebol brasileiro não costuma oferecer tempo para ajustes longos. No Remo, isso parece ainda mais evidente. A mensagem que vem das arquibancadas é clara: resultados são urgentes.
Para Osorio, o momento exige menos experimentação e mais pragmatismo. Consolidar uma equipe, reduzir erros e buscar equilíbrio são passos fundamentais para atravessar esse início exigente de temporada.
