Em meio à maratona de jogos, viagens e compromissos por competições diferentes, o Remo segue em processo de construção sob o comando de Juan Carlos Osório. Após o frustrante empate em 2 a 2 com o Mirassol, pela Série A do Campeonato Brasileiro, o treinador concedeu entrevista coletiva e falou sobre planejamento de elenco, desgaste físico, escolhas táticas e a necessidade de ajustes ao longo da temporada.

O resultado, conquistado após um primeiro tempo intenso do Leão Azul, evidenciou não apenas aspectos positivos do desempenho da equipe, mas também os desafios enfrentados pelo clube neste início de trabalho. Segundo Osório, o momento é de avaliação constante, especialmente diante de um elenco considerado numeroso para a realidade atual do clube.

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Para o treinador, o Remo precisa trabalhar com um grupo mais enxuto. Na visão do colombiano, o ideal é contar com cerca de 30 atletas, incluindo os goleiros, para garantir melhor qualidade nos treinamentos e maior equilíbrio competitivo. “Dois jogadores por posição, em 11 posições de campo, mais três goleiros. Esse é o modelo que considero ideal. Com isso, conseguimos treinar melhor e competir melhor”, explicou.

Osório também deixou claro que, dentro da hierarquia de prioridades do clube, o Campeonato Brasileiro ocupa o primeiro plano, seguido pelo Campeonato Paraense. A partir disso, a comissão técnica deve fazer divisões estratégicas do elenco para lidar com a sequência pesada de jogos. A expectativa é que, nas próximas semanas, o grupo seja reduzido e mais definido.

ESTÁGIO DE CONSTRUÇÃO E IMPROVISAÇÕES

Questionado sobre o estágio atual da equipe, o treinador reconheceu que o Remo ainda está em fase de construção, tanto física quanto taticamente. Alguns jogadores, segundo ele, ainda não suportam atuar durante os 90 minutos, o que influenciou diretamente nas substituições realizadas ainda na metade do segundo tempo. “Há atletas que hoje estão preparados para 60 minutos. Por isso fizemos mudanças. Com o tempo, isso vai melhorar”, afirmou.

As escolhas táticas e as movimentações em campo também foram abordadas. Osório voltou a rejeitar o termo “improvisação” para definir mudanças de posição, destacando que essas variações são treinadas diariamente. Ele citou exemplos como Patrick de Paula atuando mais avançado e Pikachu jogando pelo lado esquerdo, explicando que busca complementaridades entre os atletas, de acordo com o contexto do jogo.

“O que fazemos em campo não é improvisação. Improvisar é fazer algo pela primeira vez. Isso tudo é treinado. Com mais jogos e treinamentos, o funcionamento coletivo vai melhorar. Não acredito em esquemas estáticos”, reforçou.

DESGASTES

Sobre o rendimento defensivo, especialmente pelo lado esquerdo, onde o Mirassol conseguiu explorar segundas bolas, o técnico apontou o desgaste físico como fator determinante, mas ponderou que o entrosamento e a consolidação do modelo de jogo ainda estão em evolução. Para Osório, a equipe tende a apresentar um desempenho mais consistente a partir do quinto ou sexto jogo sob seu comando.

Outro ponto destacado foi a metodologia de trabalho adotada, baseada na periodização tática da escola portuguesa. Mesmo com a intensa sequência de viagens e pouco tempo para treinos completos, o treinador garantiu que seguirá utilizando o método, adaptando as cargas e focando na eficiência dos estímulos. “Treinamos o necessário. Com um elenco mais reduzido, todos vão treinar 100% do tempo, e isso vai melhorar o rendimento coletivo”, explicou.

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CALENDÁRIO APERTADO

Ao final da coletiva, Osório projetou os próximos compromissos do Remo, incluindo o clássico Re-Pa e a sequência decisiva de partidas no calendário. Para ele, os jogos desta semana serão fundamentais para definir rotações, ajustes e a formatação definitiva do elenco.

“O jogo de hoje, o de amanhã e o do fim de semana são muito importantes. A partir da próxima semana, teremos decisões mais claras sobre o grupo e sobre como vamos competir em cada torneio”, concluiu o treinador.

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