O Clube do Remo deixou a Neo Química Arena derrotado por 3 a 0, mas o placar também expôs um problema que apareceu desde os primeiros minutos: o time de Léo Condé não conseguiu funcionar como um bloco compacto. A distância entre meio-campo e defesa abriu espaços para o Corinthians atacar de frente e construir uma vitória sem grandes dificuldades.
A partida teve dois momentos distintos, mas nenhum deles foi positivo para o Leão Azul. Na primeira etapa, o Timão encontrou os espaços necessários para construir a vantagem. Depois do intervalo, diminuiu o ritmo, mas o Clube de Periçá não conseguiu transformar a maior posse de bola em uma reação efetiva.
Conteúdo Relacionado:
- Remo é dominado, perde para o Corinthians e termina 1º turno em penúltimo
- Remo: "Não é hora de baixar cabeça", diz Marllon após 3 x 0 do Corinthians
- Corinthians provoca o Remo nas redes sociais: "Rema, rema, remador"
- Remo decepciona após pausa da Copa e iniciará o 2º turno sob pressão
Os números ajudam a explicar o cenário. O Corinthians terminou com 56% de posse de bola e 15 finalizações, contra apenas três do Remo. O time paulista também criou três grandes chances de gol, aproveitando todas, enquanto o Leão não conseguiu nenhuma.
🧩 O problema começou entre o meio e a defesa
A principal dificuldade do Remo esteve na organização sem a bola. Em determinados momentos, os jogadores do meio-campo avançavam para tentar pressionar a saída corintiana, mas a linha defensiva não conseguia acompanhar o movimento na mesma intensidade.
O resultado foi um espaço perigoso entre os setores. Quando o Corinthians conseguia superar a primeira pressão, encontrava os atacantes de frente para a defesa remista, ainda na intermediária.
Esse tipo de situação deixou o sistema defensivo exposto. Em vez de receber a bola sob pressão ou de costas para o gol, Yuri Alberto e Kaio César encontraram condições para atacar a última linha com liberdade.
Foi assim que o Corinthians construiu boa parte da superioridade no primeiro tempo. O Remo não conseguiu definir se deveria pressionar mais alto ou proteger a própria defesa. Quando tentou fazer as duas coisas ao mesmo tempo, acabou deixando espaços.
⚠️ Mayk teve dificuldades para conter Kaio César
Entre os jogadores que mais sofreram com a dinâmica da partida, Mayk teve uma noite complicada. O lateral-esquerdo foi constantemente colocado em situações de mano a mano e terminou com 29 perdas de posse, além de ter sido driblado três vezes.
O Corinthians explorou a velocidade e a movimentação pelo lado direito. Com o Remo tendo dificuldade para ajustar a cobertura, Mayk muitas vezes ficou exposto no um contra um.
Ofensivamente, o lateral também não conseguiu oferecer uma resposta consistente. Acertou 37 dos 57 passes e não conseguiu produzir cruzamentos perigosos. A equipe azulina terminou com apenas 6% de acerto nos cruzamentos, contra 27% do Corinthians.
🧱 Marllon foi exigido, mas a defesa sofreu
A avaliação de Marllon precisa ser feita dentro do contexto da partida. O zagueiro foi um dos jogadores mais acionados defensivamente e terminou com seis cortes, dois chutes bloqueados e uma interceptação.
Por outro lado, o fato de ter sido tão exigido também mostra o problema coletivo do Remo. O Corinthians conseguiu chegar à área azulina com frequência e obrigou a defesa a reagir constantemente às jogadas.
Marllon venceu apenas um dos seis duelos aéreos disputados. Embora tenha sido importante para evitar uma vantagem ainda maior, a dupla de zaga ficou frequentemente exposta aos ataques corintianos.
O problema, portanto, não esteve apenas em uma falha individual. Quando o Corinthians passava pelo meio-campo, a defesa remista era obrigada a correr para trás e defender em desvantagem de espaço.
🧤 Marcelo Rangel voltou, mas não conseguiu evitar a derrota
A partida também marcou o retorno de Marcelo Rangel ao gol do Remo. O goleiro havia sofrido um rompimento parcial do ligamento do joelho esquerdo antes da paralisação do Brasileirão e ficou fora do duelo contra o São Paulo. Ivan havia assumido a posição e teve boa atuação na oportunidade. Ainda assim, Rangel recuperou a titularidade.
O goleiro fez quatro defesas, mas terminou a partida com uma avaliação negativa no indicador de gols evitados. Isso não significa que os três gols tenham sido exclusivamente responsabilidade do goleiro, mas evidencia que o Corinthians conseguiu finalizar em situações de alto perigo.
A defesa remista permitiu que o adversário finalizasse 15 vezes, sendo sete no alvo. Em um cenário assim, o goleiro acaba constantemente exposto.
❌ Jajá teve pouca participação ofensiva
Se o problema defensivo foi coletivo, o ataque também não encontrou soluções. Jajá terminou a partida com uma das atuações mais apagadas do Filho da Glória e do Triunfo na Neo Química Arena.
O atacante não finalizou, não deu passe decisivo e acertou apenas 11 dos 17 passes. Também perdeu a posse 14 vezes e não conseguiu completar nenhum dos dribles tentados.
A dificuldade de Jajá simboliza um problema maior do Leão: a equipe não conseguiu fazer a bola chegar em condições aos jogadores mais avançados. Com o Corinthians controlando o centro do campo e o Remo tendo dificuldade para progredir, os atacantes ficaram isolados. A equipe azulina teve apenas três finalizações em toda a partida.
📉 Segundo tempo sem reação
Após o intervalo se viu um Corinthians menos agressivo, mas ainda superior ao Remo. A equipe paulista manteve o controle da posse de bola, com 59% contra 41%, e continuou limitando as ações ofensivas do adversário.
O Leão chegou mais vezes ao terço final, mas terminou a etapa com apenas uma finalização, enquanto o Timão teve seis. A posse remista, portanto, não se transformou em pressão ou chances reais de gol.
A diferença para o primeiro tempo foi a intensidade, não o controle da partida. Antes do intervalo, o Corinthians aproveitou as falhas de organização do Remo e abriu 3 a 0; depois, reduziu o ritmo e administrou a vantagem sem ser ameaçado.
O Leão não conseguiu reagir em nenhum dos dois cenários: primeiro, foi dominado e castigado pela eficiência corintiana; depois, teve a bola por menos tempo e não encontrou soluções para transformar os ataques em perigo.
📊 Avaliações do Remo
- Marcelo Rangel - 5,9 🔴
- Marcelinho - 6,1
- Marllon - 5,9 🔴
- Zé Ivaldo - 6,4
- Mayk - 5,8 🔴
- Patrick - 6,4
- Zé Welison - 6,8 ⭐
- Vitor Bueno - 6,6
- Yago Pikachu - 6,3
- Jajá - 5,8 🔴
- Alef Manga - 6,3
Entraram:
- Zé Ricardo - 6,7
- Gabriel Taliari - 6,5
- Matheus Alexandre - 6,6
- Leonel Picco - 6,6
- Tico - sem nota
