O Clube do Remo é um dos cinco clubes da Série A que não se manifestou sobre uma possível Medida Provisória (MP) do Governo Federal que poderia estabelecer novas restrições ao mercado de apostas esportivas no país. Em nota oficial, o clube azulino afirmou que não assinou nenhum documento e também não foi procurado para tratar do assunto. O manifesto foi divulgado por grandes clubes do futebol brasileiro contra uma eventual restrição ou banimento do segmento das bets.
A manifestação do Remo ocorre em meio à reação de torcedores nas redes sociais ao posicionamento de clubes que participaram do movimento. De acordo com levantamento divulgado pelo Portal 91, perfil especializado em estatística do futebol no X, parte significativa das interações analisadas demonstrou resistência ao discurso de que eventuais restrições às casas de apostas poderiam representar o “fim do futebol brasileiro”.
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Em comunicado enviado ao DOL, o Clube do Remo afirmou que não recebeu nenhum convite ou documento relacionado ao manifesto.
“Não assinou nenhum documento e também não foi procurado em relação ao assunto”, informou o clube. Segundo a nota, diante disso, a diretoria não teria, neste momento, informações para se posicionar sobre o conteúdo do manifesto. "O clube esclarece que não possui, neste momento, qualquer informação para falar sobre o tema", disse.
A ausência do Remo chama atenção porque o clube mantém relação comercial com o setor de apostas. Em 2026, a VaideBet foi anunciada como patrocinadora máster do Leão para a temporada, justamente no ano em que a equipe voltou à Série A do Campeonato Brasileiro após 32 anos.
Além do Remo, o Bahia, Coritiba, Internacional, Athletico-PR e RB Bragantino não publicaram nenhuma manifestação de defesa às bets e ao mercado de aposta esportiva.
Manifesto reúne clubes da Série A
O manifesto foi divulgado nas redes sociais na última quinta-feira (17/09) por Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco, em uma ação conjunta com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e a Federação Paulista de Futebol (FPF).
O documento defendeu que eventuais limitações ao mercado poderiam provocar impactos financeiros significativos no futebol brasileiro. Os clubes argumentaram que as casas de apostas representam uma importante fonte de receitas por meio de patrocínios.
Clubes e federações reagiram à possibilidade de mudanças nas regras do mercado de apostas esportivas, incluindo restrições aos jogos on-line. As entidades defendem a manutenção do mercado regulado e afirmam que uma alteração brusca poderia reduzir receitas importantes para o futebol.
O setor se tornou uma das principais forças comerciais do futebol nacional. Segundo os dados apresentados no levantamento, 13 dos 20 clubes da Série A possuem atualmente contratos com empresas de apostas. A própria competição tem como patrocinadora a Betano.
Torcedores criticam posição dos clubes
A mobilização dos clubes também provocou forte reação entre torcedores. Segundo levantamento do Portal 91, foram analisadas 90.123 interações no X e no Instagram relacionadas ao posicionamento das equipes diante de possíveis novas restrições às apostas.
Em 31.761 manifestações, foi possível identificar uma posição clara sobre o discurso dos clubes. Desse grupo, 88% apresentaram críticas, enquanto 6,9% adotaram uma posição intermediária e 5,1% demonstraram apoio.
Entre os termos e argumentos identificados na análise, apareceram expressões como “vergonha” e “vergonha alheia”, utilizadas por usuários para contestar a postura dos clubes.
O levantamento também aponta que 19,6% das manifestações fizeram referência à dependência financeira ou aos interesses econômicos das equipes. Outros 13,5% mencionaram possíveis impactos sociais relacionados às apostas, como vício, endividamento e consequências para as famílias.
Já 10,5% recorreram a uma comparação histórica para questionar a ideia de que restrições às bets poderiam significar o fim do futebol brasileiro, lembrando que o esporte existia antes da expansão das plataformas de apostas.
📊 “O fim do futebol brasileiro”? O discurso de alguns clubes encontrou forte resistência nas redes. Analisamos 90.123 interações (X + Instagram) em discussões sobre o posicionamento de clubes diante de possíveis novas restrições às bets. Em 31.761 foi possível identificar uma posição clara sobre o discurso adotado pelos clubes. 🔴 88,0% criticaram o posicionamento 🟡 6,9% adotaram uma posição intermediária 🟢 5,1% manifestaram apoio 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes. 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias. e 10,5% recorreram a um argumento histórico: o futebol brasileiro existia antes da expansão das bets. A própria expressão “fim do futebol brasileiro”, utilizada para dimensionar os possíveis impactos econômicos das restrições, passou a ser apropriada de forma irônica nas redes.
— Portal 91 (@oportal91) September 18, 2026
Debate envolve dinheiro e dependência das bets
O episódio expõe a crescente dependência comercial do futebol brasileiro em relação ao mercado de apostas. As plataformas chegaram a patrocinar 19 dos 20 clubes da primeira divisão e atualmente movimentam mais de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio com equipes da elite, segundo os dados apresentados.
O Remo, embora tenha contrato com uma empresa do segmento, ficou fora da mobilização desta vez. A nota do clube, porém, ressalta que a diretoria não assinou o documento e não foi procurada para participar da iniciativa.
Com isso, a posição oficial do Leão, neste momento, é de não participação no manifesto que questiona possíveis novas restrições ao mercado de apostas no futebol brasileiro.
