A economia de combustível na moto pode depender muito mais do comportamento do motociclista do que de mudanças no veículo. Ajustes simples, como manter os pneus calibrados, antecipar o trânsito e acelerar de forma progressiva, podem alterar significativamente a média de consumo no uso diário. Em uma mesma motocicleta, a diferença pode chegar a números expressivos conforme o estilo de pilotagem, as condições da via e a manutenção.
Os dados oficiais de consumo podem ser consultados no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, mas a realidade das ruas é influenciada por fatores como trânsito, carga, vento, relevo e comportamento do condutor. Confira cinco hábitos que podem ajudar a gastar menos combustível.
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1. MANTENHA OS PNEUS CALIBRADOS E A MOTO REVISADA
A calibragem correta dos pneus é um dos cuidados mais simples para melhorar a eficiência da motocicleta e ajudar na economia de combustível. Quando estão abaixo da pressão recomendada, os pneus aumentam a resistência ao rolamento e fazem o motor trabalhar mais, principalmente em arrancadas e subidas.
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A pressão adequada deve ser consultada no manual ou na etiqueta da própria motocicleta. A calibragem deve ser feita com os pneus frios, já que o aquecimento altera a leitura.
Além de contribuir para o consumo, a pressão correta melhora a estabilidade, reduz o desgaste irregular e ajuda no desempenho da frenagem. Não existe uma calibragem universal: uma Honda Pop 110i, uma Yamaha Factor 150 e uma motocicleta de média cilindrada possuem recomendações diferentes.
Manutenção também interfere no consumo
A revisão mecânica também entra diretamente na conta. Filtro de ar sujo, vela desgastada, corrente excessivamente apertada ou sem lubrificação e óleo vencido podem aumentar o esforço necessário para movimentar a moto.
Em modelos com injeção eletrônica, a central consegue fazer correções na mistura, mas existe um limite para essa compensação. Se houver falhas, marcha lenta irregular ou cheiro forte de combustível, a recomendação é procurar uma oficina.
Na revisão, vale pedir a verificação do filtro, das velas, da corrente e do sistema de alimentação.
2. MANTENHA VELOCIDADE CONSTANTE NA ESTRADA
Na estrada, evitar oscilações de velocidade pode ajudar a reduzir o consumo. Acelerar, aliviar o punho e voltar a acelerar repetidamente exige novas retomadas e aumenta o gasto de combustível.
Outro fator importante é a velocidade. A resistência aerodinâmica cresce de maneira significativa conforme o ritmo aumenta, especialmente acima de aproximadamente 90 km/h a 100 km/h.
A proposta não é trafegar abaixo da velocidade segura ou incompatível com a via, mas manter um ritmo adequado ao trânsito, às condições da estrada e aos limites estabelecidos.
Em motocicletas pequenas, velocidades elevadas podem fazer o motor trabalhar próximo do limite, aumentando rotação, ruído e consumo.
Use o freio-motor corretamente
Ao perceber que o trânsito à frente está diminuindo a velocidade, é possível aliviar o acelerador antecipadamente, em vez de continuar acelerando até precisar frear de forma brusca.
Em descidas, utilize a marcha adequada e mantenha o controle da motocicleta. Não desligue o motor nem coloque a moto em ponto morto para tentar economizar combustível.
Nas motocicletas com injeção eletrônica, o freio-motor pode interromper temporariamente a injeção de combustível em determinadas condições. Isso, porém, não significa que os freios devam ser substituídos pelo recurso, principalmente em curvas, piso molhado ou situações de emergência.
3. FAÇA AS TROCAS DE MARCHA NO MOMENTO ADEQUADO
Esticar demais as marchas mantém o motor em rotações elevadas e pode aumentar o consumo. Por outro lado, utilizar uma marcha alta demais também não é eficiente: o motor fica “amarrado” e exige maior abertura do acelerador.
A troca ideal ocorre quando a motocicleta consegue ganhar velocidade de maneira progressiva, sem que o motor fique excessivamente ruidoso ou apresente vibrações e perda de força.
Em uma subida, por exemplo, pode ser mais econômico reduzir antes que o motor perca rendimento do que insistir em uma marcha alta com o acelerador muito aberto.
Não existe uma rotação única que sirva para todas as motos. Uma Honda Biz 125 possui características completamente diferentes de uma Yamaha MT-03. O manual do proprietário é a principal referência para o funcionamento adequado.
Se a transmissão apresentar trancos durante as trocas, também vale verificar a folga e a lubrificação da corrente, já que uma transmissão mal ajustada prejudica conforto, durabilidade e eficiência.
4. ANTECIPE O TRÂNSITO
Uma das formas mais eficientes de economizar combustível na cidade é olhar alguns metros à frente. Semáforos fechados, filas, ônibus parando, lombadas e cruzamentos podem ser identificados antecipadamente para que o motociclista alivie o acelerador antes de precisar frear.
Com isso, a motocicleta perde velocidade naturalmente e pode chegar ao obstáculo sem uma frenagem brusca e sem a necessidade de uma nova arrancada completa.
O princípio é simples: toda vez que a moto freia e depois precisa recuperar velocidade, há energia que será novamente exigida do motor.
Fluidez é melhor do que arrancar e frear
Em um trajeto urbano, acelerar intensamente quando o sinal abre e frear poucos metros depois costuma ser pouco eficiente. O ganho de alguns segundos pode desaparecer no próximo semáforo.
Em congestionamentos, manter uma distância segura do veículo da frente permite acompanhar melhor o movimento da fila e reduz a necessidade de paradas e arrancadas constantes.
Isso não significa trafegar de maneira desatenta. O motociclista deve observar o fluxo, as laterais, os retrovisores e possíveis mudanças de comportamento dos demais veículos.
Zigue-zague entre carros também deve ser evitado. Além do risco à segurança, o comportamento gera mais acelerações, frenagens e mudanças de ritmo.
5. ACELERE DE MANEIRA SUAVE E PROGRESSIVA
Entre os hábitos que mais podem alterar o consumo urbano está a forma de acelerar. Torcer o punho rapidamente aumenta a demanda de combustível e nem sempre representa ganho real de tempo.
O ideal é abrir o acelerador progressivamente, permitindo que a moto ganhe velocidade sem trancos e sem elevar desnecessariamente a rotação.
O cuidado pode fazer diferença em modelos urbanos como Honda Biz 125, Honda Pop 110i, Yamaha Factor 150 e Mottu Sport 110i.
Isso não significa manter o motor sempre em baixa rotação. A ideia é utilizar apenas a quantidade de acelerador necessária para acompanhar o fluxo e manter o motor trabalhando de maneira adequada.
Arrancadas fortes não significam chegar mais rápido
Uma arrancada agressiva pode parecer uma maneira de ganhar tempo, mas o benefício frequentemente desaparece no próximo semáforo ou congestionamento.
Em subidas, a orientação é manter uma aceleração contínua e reduzir a marcha quando necessário, em vez de tentar fazer o motor trabalhar com pouca rotação e grande abertura do acelerador.
Com garupa ou carga, a motocicleta naturalmente precisa de mais força. Ainda assim, não é necessário acelerar até o limite a cada saída.
CIDADE E ESTRADA EXIGEM ESTRATÉGIAS DIFERENTES
O que funciona melhor depende do tipo de trajeto. Na cidade, acelerações, frenagens, semáforos, congestionamentos e mudanças constantes de velocidade pesam bastante no consumo.
Por isso, antecipar o trânsito e acelerar suavemente tende a produzir resultados mais perceptíveis no uso urbano.
Na estrada, a velocidade e a aerodinâmica ganham importância. Vento contrário, ritmo elevado e excesso de bagagem aumentam o esforço necessário para manter a motocicleta em movimento.
Baús grandes, mochilas volumosas e roupas soltas podem prejudicar a aerodinâmica, especialmente em velocidades mais altas. Isso, porém, não significa abrir mão de equipamentos de segurança. Capacete, jaqueta, luvas, calça e botas devem continuar sendo utilizados.
COMBUSTÍVEL RUIM TAMBÉM PODE AUMENTAR O CONSUMO
Nem toda queda repentina na média está relacionada à maneira de pilotar. Combustível de baixa qualidade pode provocar falhas, perda de potência, marcha lenta irregular e aumento do consumo.
A recomendação é abastecer em postos de confiança e guardar a nota fiscal. Se algum problema aparecer logo após o abastecimento, uma oficina poderá avaliar o sistema de alimentação.
Também não é aconselhável utilizar aditivos por conta própria. Produtos inadequados não solucionam problemas como filtro sujo, vela desgastada ou bico injetor com defeito e ainda podem prejudicar componentes.
Para descobrir o consumo real, é melhor observar vários abastecimentos, já que um único tanque pode sofrer influência de trânsito intenso, vento, carga ou mudança de trajeto.
COMO CALCULAR O CONSUMO REAL DA MOTO
O cálculo pode ser feito de maneira simples. Complete o tanque sempre seguindo o mesmo padrão, zere o hodômetro parcial e registre a quilometragem percorrida.
No abastecimento seguinte, divida a distância pelos litros colocados. Exemplo: se a moto percorreu 300 quilômetros e foram necessários 10 litros para completar novamente o tanque, o consumo foi de 30 km/l.
O ideal é repetir a medição por pelo menos três abastecimentos e comparar trajetos semelhantes. Uma viagem predominantemente rodoviária não deve ser comparada diretamente com uma semana de congestionamentos.
Também vale registrar se houve garupa, carga adicional ou mudanças importantes no percurso.
O computador de bordo pode ajudar a acompanhar a média, mas o cálculo realizado a partir do combustível efetivamente colocado no tanque oferece uma referência mais próxima do consumo real.
ECONOMIA NÃO PODE COMPROMETER A SEGURANÇA
Algumas tentativas de economizar combustível devem ser evitadas. Desligar o motor em movimento, trafegar em ponto morto ou reduzir excessivamente a velocidade em uma via rápida pode colocar o motociclista em risco.
Também não é seguro permanecer atrás de caminhões para aproveitar o vácuo e reduzir a resistência do ar. A estratégia prejudica o campo de visão e aumenta o risco diante de uma frenagem inesperada.
A economia também não deve ser buscada com peças inadequadas. Pneus, pastilhas de freio, corrente, óleo e demais componentes precisam seguir as especificações recomendadas para cada motocicleta.
No fim das contas, modelos como Honda Biz 125, Honda Pop 110i, Yamaha Factor 150, Mottu Sport 110i e Shineray Worker 125 podem apresentar baixo custo por quilômetro, mas o comportamento do motociclista também pesa na conta. Uma motocicleta maior pode igualmente apresentar bom rendimento quando recebe manutenção adequada e é conduzida sem acelerações desnecessárias.
