O tempo, quando se arrasta sem respostas, costuma mudar o rumo das decisões. Em casos de desaparecimento, ele pesa sobre equipes de resgate, autoridades e, sobretudo, sobre famílias que convivem diariamente com a ausência e a incerteza. Em Bacabal, no interior do Maranhão, esse compasso lento passou a ditar uma nova fase das ações oficiais.
Após 24 dias do desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, a força-tarefa montada na cidade decidiu reduzir a intensidade das buscas e concentrar os esforços na investigação criminal. Sem vestígios concretos das crianças, a estratégia agora é aprofundar hipóteses sobre o paradeiro dos irmãos.
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BUSCAS REDUZIDAS NAS ÁREAS SATURADAS
Na última terça-feira (22), foram encerradas as buscas aquáticas no Rio Mearim, que mobilizaram equipes da Marinha, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos por cinco dias consecutivos. Cães farejadores chegaram a indicar rastros das crianças até a margem do rio, mas nenhuma evidência foi encontrada. Ao todo, cerca de 19 quilômetros do curso d’água foram vistoriados, sendo cinco analisados de forma minuciosa.
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Segundo o capitão Simões, da Marinha do Brasil, 11 pontos de interesse chegaram a ser repassados aos mergulhadores. Ainda assim, a possibilidade de que os corpos ou vestígios das crianças estivessem no trecho considerado mais provável foi descartada. "Na parte fluvial e subaquática, esgotamos essa possibilidade", afirmou.
ESPERANÇA AINDA EXISTE
No trabalho em terra, o Exército Brasileiro informou que aproximadamente 200 quilômetros de mata e áreas de difícil acesso já foram percorridos desde o início das buscas. Com a região considerada "saturada", as ações passaram a ser mais pontuais e dependentes de novas informações.
Para o coronel Duque, a ausência de corpos ou sinais claros de crime mantém aberta a esperança de que Ágatha e Allan estejam vivos em outro local. Uma equipe especializada em rastreamento segue atuando na região, com apoio de drones e equipamentos de inteligência, pronta para retomar operações mais amplas caso surjam novos indícios.
NENHUMA HIÓTESE FOI DESCARTADA
Enquanto isso, a Polícia Civil aprofunda as linhas de investigação. Ao Metrópoles, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), afirmou que nenhuma hipótese está descartada, incluindo ataque de animais silvestres ou sequestro. A prefeitura mantém uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações concretas sobre o paradeiro das crianças, com denúncias anônimas pelo disque 181.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que as equipes permanecem em prontidão e que buscas pontuais poderão ser retomadas caso novas informações cheguem às autoridades.
FAKE NEWS ATRAPALHAM
Paralelamente, o caso também tem sido marcado pela disseminação de fake news, que acabaram mobilizando equipes policiais em diferentes estados. Na segunda-feira (26), o delegado Ederson Martins, responsável pela investigação, desmentiu informações que apontavam que a mãe e o padrasto teriam vendido as crianças por R$ 35 mil. Segundo ele, o casal não é alvo da investigação e não há indícios de envolvimento em crimes contra os irmãos.
Outras denúncias, registradas em São Paulo e no Pará, também foram apuradas e descartadas após verificação. Em manifestação recente, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, alertou que a propagação de informações falsas amplia o sofrimento da família e pode configurar crime.
