O cotidiano aparentemente tranquilo de um condomínio residencial pode esconder rupturas abruptas, daquelas que transformam minutos em abismos e rotinas em cenas de investigação criminal. Em Caldas Novas, no sul de Goiás, o que parecia ser apenas mais uma noite comum terminou em um enigma que mobilizou polícia, moradores e a opinião pública, revelando como pequenos intervalos de tempo podem concentrar decisões irreversíveis.

Segundo a Polícia Civil, a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, pode ter ocorrido em um intervalo máximo de oito minutos. A conclusão foi apresentada pelo delegado André Barbosa, responsável pelo caso, a partir da análise de imagens do sistema de segurança do prédio onde a vítima morava. As gravações mostram Daiane entrando no elevador por volta das 19h e, poucos minutos depois, seu desaparecimento.

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De acordo com o delegado, Daiane some das imagens às 19h00min30s. A primeira pessoa a surgir nos registros acessando o subsolo do edifício aparece às 19h08. "A partir disso, conseguimos estabelecer que o crime foi cometido em um lapso temporal de, no máximo, oito minutos", explicou Barbosa durante entrevista coletiva.

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PAI E FILHO PRESOS

O corpo da corretora foi encontrado após 40 dias de buscas, na última quarta-feira (28), em uma área de mata de Caldas Novas. A localização só foi possível após a confissão de Cléber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio, que levou os investigadores até o local onde havia deixado o corpo.

Além dele, o filho, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de tentar atrapalhar o andamento das investigações. A polícia, no entanto, afirma que o síndico declarou ter agido sozinho no homicídio.

VÍDEOS GRAVADOS POR DAIANE AJUDAM INVESTIGAÇÃO

As apurações também consideram vídeos gravados pela própria vítima pouco antes de desaparecer. Daiane enviou imagens a uma amiga relatando que a energia elétrica de seu apartamento havia sido desligada. O último vídeo, gravado enquanto ela descia pelo elevador, não chegou a ser enviado. Para o delegado, esse material pode conter um elemento-chave do crime.

"A dinâmica indica que, enquanto ela descia gravando o vídeo, o síndico já estava no local. É possível que esse terceiro vídeo, que não foi encaminhado, mostrasse algo decisivo", afirmou Barbosa.

SÍNDICO POR TER USADO ESCADAS PARA EVITAR CÂMERAS

Investigações da Polícia Civil e informações da TV Anhanguera apontam ainda que Cléber pode ter utilizado as escadas do prédio para evitar ser flagrado pelas câmeras. Imagens externas também mostram o carro do síndico seguindo em direção a uma área de mata, com a caçamba da Fiat Strada fechada.

Em depoimento, Cléber relatou que o crime ocorreu após uma discussão acalorada com Daiane, na noite de 17 de dezembro, data do desaparecimento. A defesa dos citados ainda não foi localizada para comentar o caso.

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