Em meio aos desafios de acesso e permanência no ensino superior no Brasil, programas de financiamento estudantil seguem como alternativa para milhares de jovens que sonham com o diploma universitário. Com regras específicas e foco em estudantes de baixa renda, o Fies volta a abrir inscrições no primeiro semestre de 2026, reacendendo expectativas — e também alertas — sobre planejamento financeiro no longo prazo.

O Ministério da Educação (MEC) abriu nesta terça-feira (3) as inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao primeiro semestre de 2026. O programa do governo federal oferece financiamento com juros zero para estudantes com renda familiar mensal de até três salários mínimos por pessoa. As inscrições seguem até a próxima sexta-feira (6) e devem ser feitas exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

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O resultado da pré-seleção será divulgado no dia 19 de fevereiro. Os candidatos aprovados deverão complementar a inscrição entre os dias 20 e 24 do mesmo mês. Já a convocação da lista de espera ocorrerá entre 26 de fevereiro e 10 de abril.

Podem participar do processo seletivo estudantes que tenham realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010, com média mínima de 450 pontos nas quatro áreas do conhecimento e nota diferente de zero na redação. Além disso, é necessário comprovar renda familiar mensal bruta per capita de até três salários mínimos, o equivalente a R$ 4.863.

Metade das vagas disponíveis será reservada ao Fies Social, modalidade voltada a estudantes com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 810,50) e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

O financiamento começa a ser pago apenas após a conclusão do curso, com parcelas ajustadas à renda do estudante formado. Apesar das condições facilitadas, especialistas alertam que a decisão de aderir ao Fies deve ser tomada com cautela.

Dicas para evitar "armadilhas"

Segundo a economista e professora do Insper, Juliana Inhasz, em entrevista à Folha de São Paulo, o primeiro passo antes de contratar o financiamento não é financeiro, mas estratégico. “O estudante precisa avaliar se o curso está alinhado ao seu projeto de vida e às metas profissionais de longo prazo. Financiar um curso sem identificação pode gerar frustração e dificuldades no futuro”, afirma.

Outros fatores importantes incluem a qualidade da instituição, a empregabilidade na área escolhida, as perspectivas salariais da profissão e a taxa de evasão do curso. “Quando a formação tem baixa valorização no mercado, o retorno financeiro após a formatura pode não compensar o compromisso assumido”, alerta.

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A especialista também recomenda que os candidatos façam simulações antes de fechar o contrato, analisando o valor total da dívida e o impacto das parcelas no orçamento futuro. “Muita gente se concentra apenas no fato de não pagar durante a graduação, mas esquece que a conta chega depois”, destaca. Sempre que possível, evitar o financiamento de 100% da mensalidade pode reduzir o estresse financeiro após a formatura.

Outro ponto essencial é a leitura atenta do contrato. Cláusulas sobre início da amortização, encargos, penalidades por atraso e condições de renegociação devem ser analisadas com cuidado. Além disso, o acompanhamento do financiamento ao longo do curso é fundamental, já que mudanças de renda, trancamento de matrícula ou troca de instituição exigem ajustes imediatos.

“O Fies é um compromisso de longo prazo. Quando o estudante conhece bem as regras e acompanha o contrato, consegue evitar problemas financeiros no futuro”, conclui Inhasz.

Calendário do Fies 2026 – 1º semestre

  • Inscrições: até 6 de fevereiro
  • Resultado da pré-seleção: 19 de fevereiro
  • Complementação da inscrição: 20 a 24 de fevereiro
  • Convocação da lista de espera: 26 de fevereiro a 10 de abril

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