A transição para o modelo cívico-militar nas escolas públicas de São Paulo começou sob os holofotes e com um episódio inusitado no Vale do Paraíba. O retorno às aulas, que deveria marcar apenas o início de um novo ciclo pedagógico e disciplinar, acabou gerando debates sobre a preparação dos profissionais envolvidos e a eficácia da divisão de tarefas entre educadores e militares dentro da sala de aula.

"Descançar" e "Continêcia"

Durante o primeiro dia de atividades na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, um monitor, um policial militar aposentado, cometeu deslizes ortográficos ao escrever comandos militares no quadro da sala de aula.

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Entre os erros do monitor que foram registrados pelas câmeras da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, estavam as palavras "descançar" (escrita com "ç") e "continêcia" (faltando a letra "n").

O papel dos monitores e críticas ao modelo

Em nota, a Secretaria Estadual da Educação esclareceu que a responsabilidade pelo conteúdo acadêmico permanece com os professores, enquanto os monitores militares devem focar em orientações de disciplina e valores cívicos.

A pasta também informou que todos os militares passarão por avaliações de desempenho semestrais para garantir a qualidade da atuação nas unidades. Por outro lado, o sindicato dos professores (Apeoesp) aproveitou o episódio para reforçar sua oposição ao projeto.

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A entidade classifica o modelo como inconstitucional e critica a falta de diálogo com a comunidade escolar antes da implementação. O caso levanta questionamentos sobre os limites da atuação dos militares e a integração entre a disciplina rígida e o ensino pedagógico formal.

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