O que começou como mais uma tarde de celebração da cultura e da religiosidade afro-brasileira, terminou em um episódio que ganhou ampla repercussão nas redes sociais e levantou debates sobre racismo, discriminação e responsabilidade nas denúncias públicas.
Após participar do tradicional cortejo da Festa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, a influenciadora digital Bielle Elizabeth, de 32 anos, denunciou ter sido vítima de racismo em um restaurante da região, na tarde do último domingo (2).
Segundo o relato da influenciadora, o episódio ocorreu por volta das 13h30, enquanto ela almoçava acompanhada de amigos e familiares. De acordo com Bielle, durante a permanência no estabelecimento, funcionários e a proprietária teriam feito comentários, como “vai pedir a conta que horas?”, “vai acabar quando?” e “aqui é mesa para quatro”, em um tom que, segundo ela, indicava a intenção de constrangê-la e forçá-la a deixar o local.
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A influenciadora afirmou ainda que os demais clientes presentes no restaurante eram majoritariamente pessoas brancas, o que, em sua avaliação, reforça a suspeita de que a abordagem teria motivação racial.
Outro ponto destacado na denúncia foi a acusação de que a proprietária do restaurante teria cuspido em seu copo durante o atendimento. Um vídeo publicado nos stories de Bielle mostra o copo citado e traz o relato do ocorrido, que ela classificou como um ato discriminatório. Ainda segundo a influenciadora, após um desentendimento verbal, o filho da proprietária, que também trabalha no estabelecimento, teria tentado agredi-la.
Bielle informou que o caso foi formalizado junto às autoridades competentes e, nas redes sociais, divulgou o link de avaliação do restaurante, incentivando internautas a denunciarem o ocorrido. Desde então, a página do estabelecimento passou a registrar uma série de críticas relacionadas ao episódio.
Resposta da proprietária
Horas após a repercussão das denúncias, a proprietária do restaurante se manifestou por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. Visivelmente abalada, ela negou as acusações e afirmou estar sendo vítima de ataques e ameaças.
“Eu tô indignada com o que tá acontecendo. Uma turista influenciadora veio aqui pra Salvador, mais uma, pra estragar com a imagem da gente aqui. Ela almoçou aqui, foi bem tratada, foi bem recebida, e saiu na internet me esculhambando, me acusando de porca, de que eu cuspi no copo dela, de que eu sou racista”, declarou.
A proprietária afirmou ainda que, após a repercussão do caso, passou a receber ameaças de diferentes partes do país e que o restaurante precisou ser fechado. “Estou recebendo ameaças de outros estados. Ontem e hoje meu restaurante não funcionou. Isso abalou todos nós aqui", desabafou.
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Em seguida, em outro vídeo, o advogado da proprietária também se pronunciou, afirmando que medidas judiciais já estão sendo adotadas contra ameaças e acusações que, segundo ele, não têm fundamento.
“Estamos adotando todas as providências jurídicas cabíveis, inclusive contra as pessoas que estão ameaçando Dona Miriam, perseguindo, xingando e colocando nela situações que não dizem respeitoa. Trata-se de uma acusação sem fundamento, de alguém que quer aparecer e gerar engajamento às custas de uma empreendedora. Não iremos admitir isso", afirmou o advogado.
Até o momento, o caso segue sob apuração das autoridades competentes, e não houve divulgação de conclusões oficiais sobre os fatos.
