Um novo passo no combate à dependência química está prestes a acontecer no Brasil. Estudos recentes apontam que cerca de 11,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos já usaram cocaína ou crack alguma vez na vida, segundo levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) feito em 2025. O número representa 6,6% da população, um aumento significativo em relação a 2012, quando a taxa era de 4,43%. 

Diante desse cenário, a expectativa é grande para o início dos testes em humanos da vacina contra crack e cocaína, nomeada de Calixcoca. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante um evento no Espírito Santo. “Restam apenas ajustes documentais para que os ensaios clínicos comecem”, afirmou.

Conteúdos relacionados: 

Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, a Calixcoca já passou por experimentos laboratoriais que apresentaram resultados inovadores em animais. A tecnologia também já possui patentes registradas no Brasil e no exterior, reforçando o estágio avançado da pesquisa.

O coordenador do estudo, Frederico Duarte Garcia, explica como funciona a vacina. “Ela estimula a produção de anticorpos capazes de se ligar à droga na corrente sanguínea. Com isso, a substância não alcança o cérebro e perde o efeito psicoativo”, disse. A proposta é que a vacina funcione como um apoio para pessoas em abstinência, ajudando a reduzir o risco de recaídas.

Se aprovada após todas as fases de testes clínicos, a Calixcoca poderá se tornar a primeira vacina do mundo voltada a bloquear os efeitos da cocaína e do crack. O ministro Camilo Santana destacou que o projeto tem potencial para transformar a abordagem terapêutica da dependência química no país.

Em 2023, a pesquisa ganhou projeção internacional ao receber o Prêmio Euro Inovação na Saúde, na categoria Destaque, da farmacêutica Eurofarma, presente em 20 países. A equipe recebeu 500 mil euros, cerca de R$ 2,5 milhões, como reconhecimento pelo avanço científico.

Quer mais notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!

A vacina chega em um momento crítico, diante do aumento do consumo de cocaína e crack no país. Especialistas afirmam que tratamentos inovadores, como a Calixcoca, podem complementar as estratégias já existentes de atenção a dependentes químicos, incluindo acompanhamento psicológico e social.

Embora ainda dependa de aprovação final e dos ensaios clínicos, a expectativa dos pesquisadores e autoridades é de que a vacina represente um marco histórico no enfrentamento da dependência de drogas no Brasil, oferecendo uma alternativa inédita para prevenir os efeitos nocivos dessas substâncias.

MAIS ACESSADAS