A internação do ex-presidente Jair Bolsonaro volta a colocar em evidência a relação entre saúde e cumprimento de pena no sistema prisional. O quadro de broncopneumonia, somado ao histórico médico, levanta discussões sobre a necessidade de cuidados específicos durante a custódia.
Situações como essa costumam exigir avaliação constante das condições de tratamento disponíveis, sem afastar o cumprimento das determinações judiciais.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu prisão domiciliar temporária ao ex-presidente Jair Bolsonaro por até 90 dias, após nova internação para tratar uma broncopneumonia. O prazo começa a contar a partir da alta hospitalar, e a medida poderá ser reavaliada ao final do período, com base em nova análise médica.
Bolsonaro estava detido desde janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, e vem enfrentando sucessivas intercorrências de saúde. Na decisão, Moraes destacou que o atendimento prestado até agora foi adequado, afirmando que “o procedimento estabelecido para garantir a saúde e dignidade do custodiado foi extremamente eficiente”, ao citar a rapidez na transferência para o hospital em março.
O ministro também ponderou que o problema de saúde poderia ocorrer independentemente do local de custódia. “A intercorrência médica (...) ocorreria independentemente do local de custódia”, escreveu. Ainda assim, considerou que, neste momento, o ambiente domiciliar é mais apropriado para a recuperação, ressaltando que “o ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde”.
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A decisão impõe restrições. Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica, não poderá utilizar meios de comunicação e está proibido de receber aglomerações próximas à residência. Moraes determinou ainda a proibição de “quaisquer acampamentos, manifestações ou aglomerações de indivíduos” nas imediações.
A medida foi tomada após parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou agravamento no quadro clínico. Bolsonaro segue internado, em tratamento com antibióticos e fisioterapia, ainda sem previsão de alta.
