Em meio à dor de uma perda irreparável, a busca por justiça pode se transformar em um chamado coletivo. Para muitas famílias, esse momento também representa uma oportunidade de dar voz à indignação e mobilizar a sociedade diante de casos que ultrapassam o âmbito individual.

É com esse objetivo que os pais da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, decidiram tornar público um pedido e reunir o maior número possível de assinaturas em um abaixo-assinado que solicita a expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto da Polícia Militar.

O oficial, de 53 anos, está preso e responde como réu por feminicídio e fraude processual acusações que nega. Em vídeo divulgado nas redes, o pai da vítima, José Simonal de Santana, pediu apoio da população. “Quanto mais assinaturas, melhor”, afirmou, ao lado da mãe de Gisele, Marinalva.

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Até o momento, a petição já reuniu milhares de assinaturas. Além da exclusão do oficial da corporação e da perda de posto e patente, o documento também cobra uma apuração rigorosa do caso. No texto, os organizadores destacam que a situação expõe problemas mais amplos, como abuso de poder e violência, e defendem responsabilidade e respeito não apenas pela vítima, mas por todas as mulheres.

O caso segue em investigação e pode ter desdobramentos administrativos. Após a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM), o Comando-Geral da Polícia Militar poderá instaurar um Conselho de Justificação, procedimento que pode resultar na expulsão do oficial, independentemente da esfera criminal.

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A morte de Gisele ocorreu após ela ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, em São Paulo. Inicialmente registrada como suicídio, a ocorrência passou a ser tratada como morte suspeita após novos depoimentos e evidências. Exames posteriores apontaram lesões no corpo da vítima, o que reforçou a necessidade de aprofundamento das investigações.

O tenente-coronel foi preso em março e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes. A Justiça de São Paulo já negou pedidos para sua soltura, e o caso tramita sob sigilo.

Enquanto isso, a família tenta transformar o luto em mobilização. Para eles, o abaixo-assinado é uma forma de pressionar por respostas e evitar que casos semelhantes se repitam.

DENUNCIE

Casos como esse também reforçam a importância de canais de denúncia e apoio às vítimas de violência. No Brasil, mulheres podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento pelo telefone 180, disponível 24 horas. O serviço oferece orientação e encaminhamento para redes de proteção.

Também é possível registrar denúncias pelo Disque 100, além de canais digitais como o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Em situações de risco, a legislação prevê medidas protetivas de urgência com base na Lei Maria da Penha.

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