Datas comemorativas costumam aquecer o comércio e movimentar tradições familiares. O consumidor brasileiro se depara, mais uma vez, com um desafio: equilibrar o orçamento diante da alta dos preços. A Páscoa de 2026 chega cercada por esse contexto, com o chocolate, principal símbolo da data, pesando mais no bolso.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por meio do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) divulgado na última semana, os preços dos chocolates registraram alta de 24,9% no período de 12 meses, refletindo um encarecimento significativo na cadeia produtiva.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

O principal motivo está fora do país. A redução na oferta global de cacau, matéria-prima essencial, tem pressionado os preços no mercado internacional. Problemas climáticos, intensificados pelo fenômeno El Niño, além de doenças nas lavouras de grandes produtores como Costa do Marfim e Gana, comprometeram as safras e provocaram um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Choque de oferta

Para o professor da Strong Business School, o economista Sandro Maskio, trata-se de um movimento estrutural. O mercado global enfrenta um verdadeiro choque de oferta, que impacta diretamente o preço final dos produtos. A escassez da commodity fez a cotação do cacau disparar nos últimos anos, saindo de cerca de US$ 2.500 por tonelada em 2022 para picos de até US$ 12 mil durante a crise.

Quer saber mais notícias de economia? Acesse o canal do DOL no Whatsapp

Mesmo com alguma acomodação recente, os preços seguem elevados, girando entre US$ 5 mil e US$ 5,5 mil por tonelada — patamar ainda considerado alto pelo setor.

Nas prateleiras, o impacto já é evidente. O preço do chocolate pode variar de R$ 176 a R$ 799 por quilo, dependendo do tipo, marca e composição do produto. Diante disso, a tendência é de mudança no comportamento do consumidor, que deve optar por itens mais simples ou reduzir o consumo.

Mudanças no perfil de consumo

A indústria, por sua vez, já se movimenta para se adaptar ao novo cenário. A aposta está em produtos menores, reformulações e alternativas que permitam equilibrar custos e manter a atratividade comercial.

Segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o mercado ainda sente os efeitos de um déficit global estimado em cerca de 700 mil toneladas de cacau. Apesar disso, a entidade mantém uma expectativa positiva para a data, apoiada na estabilidade econômica e no aumento da produção nacional, que passou de 806 mil para 814 mil toneladas entre 2024 e 2025.

Além disso, o setor registrou crescimento significativo na geração de empregos temporários, com alta de aproximadamente 50% nas contratações.

Entre desafios e adaptações, a Páscoa de 2026 deve manter seu simbolismo, mas com mudanças no perfil de consumo, refletindo um cenário econômico em que tradição e planejamento caminham cada vez mais juntos.

MAIS ACESSADAS