Na estrutura militar, a reserva funciona como uma espécie de aposentadoria. Mesmo assim, o profissional pode ser convocado em situações excepcionais, conforme a necessidade da corporação.
É nessa condição que se encontra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana e de fraude processual. Ele foi transferido para a reserva da Polícia Militar após solicitar o afastamento voluntário.
Entenda o caso
O oficial passou para a reserva a pedido, ou seja, se aposentou voluntariamente, e continuará recebendo remuneração integral mesmo estando preso, pois cumpriu os requisitos legais.
Em janeiro, seu salário bruto foi de cerca de R$ 34,6 mil, incluindo adicionais como abono de permanência, totalizando R$ 34.609,91 segundo o Portal da Transparência.
Expulsão ainda é analisada
Apesar da ida para a reserva, o processo administrativo contra o militar continua. A decisão não impede uma possível expulsão da corporação. No dia 30 de março, a Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito estava em fase final, enquanto o Comando-Geral avalia a possível perda da patente.
Caso a expulsão seja confirmada pela Justiça, o oficial poderá ser transferido para um presídio comum. No entanto, essa mudança depende de decisão judicial. Pela legislação, agentes de segurança têm direito a proteção especial no sistema prisional, podendo ficar em alas separadas por questões de segurança.
Investigação aponta feminicídio
Rosa Neto se tornou réu por feminicídio e fraude processual. O crime ocorreu em fevereiro, no bairro do Brás, em São Paulo.
Segundo a investigação, a cena do crime teria sido alterada para simular um suicídio. No entanto, exames periciais identificaram lesões incompatíveis com essa hipótese, incluindo marcas de pressão por unhas.
A mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle e restrições.
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Defesa nega acusações
A defesa do tenente-coronel contesta a prisão preventiva. O advogado Eugênio Malavasi afirma que o cliente tem colaborado com as investigações e classificou a decisão judicial como injusta.
Rosa Neto nega o crime e diz ter a consciência tranquila. Ele afirma que encontrou a esposa ferida e alega estar sendo alvo de acusações baseadas em inverdades.
Como denunciar violência
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia e tem ligação gratuita.
