A Amazônia agora tem marca! 

A FutureBrand e a Embratur revelaram a primeira identidade visual unificada da região, com letras moldadas pelas curvas reais do maior rio do planeta, o Rio Amazonas.

O projeto foi criado pela Embratur, em parceria com a RAI (Rotas Amazônicas Integradas), com o objetivo de impulsionar o turismo e gerar visibilidade e tração econômica para pequenos e médios produtores e agricultores da região. Segundo a pesquisa que embasa a iniciativa, 65% dos brasileiros não conhecem a Amazônia. A proposta também busca aproximar o território de turistas estrangeiros.

Segundo relato de um dos profissionais envolvidos, houve participação direta de artistas da região amazônica no desenvolvimento da marca, incluindo ilustradores e diretores de arte, em um processo que envolveu meses de pesquisa, trocas e construção coletiva com diferentes agentes, além da articulação com uma agência local.

E é justamente a partir desse tipo de relato que a reflexão se torna necessária.

Existe um padrão que se repete, e ele não é novo. A Amazônia segue sendo tratada como fonte de matéria prima, inclusive simbólica e cultural, enquanto os centros de decisão, criação e capital permanecem, em grande medida, fora dela.

Sim, houve participação de profissionais da região. Houve escuta, construção conjunta e presença criativa amazônida no desenvolvimento da marca. Mas isso não elimina a pergunta sobre estrutura. Quem lidera o projeto desde o início. Quem concentra a assinatura final. Para onde vai a maior parte do investimento.

Quando a lógica ainda parte de fora para dentro, mesmo com colaboração local, o protagonismo segue mediado.

Incluir não é o mesmo que descentralizar. Participar não é o mesmo que liderar.

O resultado carrega potência, sensibilidade e verdade, muito por conta de quem vive e cria na Amazônia. Mas a estrutura que viabiliza esse resultado ainda revela um modelo em que a região contribui com conteúdo, enquanto outras praças concentram validação, chancela e capital.

O desafio não é apenas estético, é estrutural.

Porque enquanto a Amazônia for integrada como parte do processo, mas não como centro dele, a lógica continua sendo de adaptação, e não de protagonismo.

A pergunta que fica não é se houve participação local. É qual foi o lugar dessa participação.

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