O preço dos combustíveis impacta diretamente no bolso dos brasileiros, fazendo com que muitas famílias planejem o quanto terão no fim do mês.
Além disso, os conflitos no Oriente Médio continuam afetando o comércio global e já provocam reflexos diretos no mercado brasileiro. A instabilidade internacional tem contribuído para a oscilação dos preços dos combustíveis, impactando toda a cadeia produtiva, desde o transporte rodoviário até os custos de alimentos e serviços.
Diante desse cenário, o Governo Federal protocolou no Congresso Nacional, nesta quinta-feira (24), um Projeto de Lei Complementar (PLP) que prevê a criação de um mecanismo para reduzir os preços da gasolina e do etanol no país. A proposta foi apresentada pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais.
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O modelo proposto funcionaria como uma espécie de “colchão” para amortecer as variações de preços. A ideia é implementar uma compensação tributária bimestral, baseada no aumento da arrecadação federal gerada pela alta do petróleo no mercado internacional.
De acordo com o texto, a cada dois meses o Ministério da Fazenda fará um balanço da arrecadação extra obtida com a valorização do petróleo. Esse montante será utilizado para reduzir tributos federais, como PIS/Cofins e Cide, que incidem sobre gasolina e etanol, combustíveis que, até então, não haviam sido diretamente beneficiados por medidas anteriores, ao contrário do diesel.
Quanto maior for a arrecadação adicional, maior poderá ser a redução dos impostos.
Equilíbrio fiscal e impacto ao consumidor
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a proposta não se trata de uma simples desoneração, mas de um mecanismo atrelado diretamente ao aumento de receita da União.
“O que a gente perceber de arrecadação adicional é o limite que nos dará a condição de flexibilizar e reduzir a tributação”, afirmou.
A medida, segundo ele, busca garantir estabilidade nos preços ao consumidor sem comprometer as contas públicas, já que a renúncia fiscal ficaria restrita ao valor excedente arrecadado. O diesel e o biodiesel também poderão ser contemplados pelo sistema.
Já o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que o projeto segue a lógica de utilizar receitas extraordinárias para proteger o mercado interno.
“Nossa tese é simples: como o Brasil é um país produtor e exportador, o aumento no preço do petróleo eleva as receitas públicas, seja pela venda de óleo, royalties ou regimes de partilha. O objetivo é transformar esse ganho em um mecanismo de proteção ao consumidor”, explicou.
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Tramitação no Congresso
Por se tratar de um Projeto de Lei Complementar, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para entrar em vigor. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que há alinhamento entre Executivo e Legislativo sobre a necessidade de medidas para conter os efeitos da crise energética.
“Tanto o presidente da Câmara quanto o presidente do Senado concordam que o governo não pode ser sócio da guerra. O Estado precisa atuar para mitigar os impactos do conflito”, disse.
Caso o projeto seja aprovado, o Executivo poderá ajustar os tributos de forma imediata. A vigência da medida, no entanto, será limitada ao período de duração do conflito no Oriente Médio.
