Uma ligação. Uma voz familiar. Um pedido urgente de dinheiro. O que parece ser o filho em apuros pode ser, na verdade, uma armadilha digital sofisticada que engana até quem desconfia de tudo.

Um golpe tem sido frequente e começa com uma ligação carregada de urgência. A voz do outro lado soa exatamente como a de um filho, mas é, na verdade, uma reprodução gerada por inteligência artificial. Para criar essa cópia, os criminosos usam poucos segundos de áudio extraídos de stories, vídeos e mensagens publicadas nas redes sociais.

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Além disso, não é preciso invadir nenhum aparelho para obter esse material. As ferramentas de IA disponíveis em 2026 conseguem reproduzir timbre, entonação e sotaque com alto grau de realismo.

Por isso, a distinção entre a voz real e a falsa se torna quase impossível para quem recebe a ligação. Em seguida, o criminoso apresenta um roteiro dramático, como um acidente ou assalto, e exige uma transferência bancária imediata.

Contudo, o objetivo é impedir que a vítima tenha tempo de checar qualquer informação.

Por que esse golpe é mais perigoso agora?

A democratização das ferramentas de inteligência artificial reduziu tanto o custo quanto a exigência técnica para aplicar esse tipo de fraude.

O que antes demandava equipamentos especializados hoje está disponível em plataformas acessíveis a qualquer pessoa. Portanto, criminosos sem conhecimento avançado são capazes de executar clonagens de voz convincentes em minutos.

O advogado Francisco Gomes Júnior, presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e Consumidor (ADDP), aponta o motivo da eficácia da fraude.

Segundo ele, a combinação entre tecnologia e manipulação emocional é o fator central do crime.

"O uso da voz semelhante à de um familiar, aliado à pressão emocional, faz com que muitas pessoas ajam por impulso, sem checar a veracidade da situação", afirma o especialista.

Datas comemorativas ampliam o risco

O Dia das Mães intensifica o contato entre familiares e cria um ambiente favorável a abordagens inesperadas. Nesse período, o estado emocional tende a se sobrepor à cautela natural, e o nível de desconfiança diante de situações atípicas cai.

Por isso, os criminosos exploram essa predisposição afetiva para potencializar os resultados das fraudes. Embora o nome do golpe remeta às mães como principais vítimas, a fraude atinge um espectro mais amplo ao longo do ano.

Pais, avós e outros familiares próximos também são alvos frequentes, sobretudo quando os criminosos identificam vínculos afetivos expostos nas redes sociais.

Assim, qualquer data comemorativa pode ser usada como gatilho emocional para o crime.

Sinais de alerta que indicam o golpe

Alguns indícios ajudam a identificar uma tentativa de golpe por voz clonada:

  • Pedido urgente de dinheiro sem possibilidade de espera ou verificação;
  • Contato feito a partir de número desconhecido ou diferente do habitual;
  • Recusa ou impossibilidade de fazer uma chamada de vídeo no momento;
  • Narrativa dramática construída para gerar pressão emocional e impedir checagem.

Como se proteger do golpe da voz clonada?

O advogado Francisco Gomes Júnior recomenda medidas práticas para reduzir o risco de cair nessa fraude. A principal orientação é não realizar transferências sob pressão, independentemente de quão convincente seja a situação.

Além disso, confirmar a ocorrência por outro canal, como ligar para o número já salvo do familiar, dificulta o avanço do golpe.

Solicitar uma chamada de vídeo em tempo real é outra medida eficaz, pois a IA ainda não consegue replicar imagem e voz ao mesmo tempo com a mesma facilidade.

Ademais, fazer perguntas que apenas o familiar saberia responder ajuda a desmascarar o criminoso.

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"Criar pequenos protocolos familiares pode fazer toda a diferença na hora de evitar um golpe", reforça Gomes Júnior.

Confira as principais medidas de proteção:

  • Nunca transfira dinheiro sob pressão ou urgência, independentemente do contexto;
  • Ligue para o número já salvo do familiar para confirmar a situação;
  • Peça uma chamada de vídeo em tempo real antes de qualquer ação;
  • Faça perguntas pessoais que apenas o familiar verdadeiro saberia responder;
  • Desconfie de mensagens vindas de número novo ou diferente do habitual;
  • Combine previamente com a família um protocolo de validação para emergências.

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