Em meio à repercussão envolvendo a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre produtos da marca Ypê, vídeos de pessoas ingerindo detergente e outros produtos de limpeza começaram a circular nas redes sociais nos últimos dias. A prática, usada por alguns usuários como forma de protesto, acendeu um alerta entre especialistas da saúde sobre os perigos da ingestão desse tipo de substância.
A polêmica começou após a Anvisa determinar, no último dia 7 de maio, o recolhimento de alguns produtos da fabricante Química Amparo, responsável pela marca Ypê. A medida atingiu lotes específicos de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes com final 1, após a identificação de falhas no controle de qualidade e possível risco de contaminação microbiológica.
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Apesar de a empresa ter recorrido da decisão, o que suspendeu temporariamente os efeitos da medida, a Anvisa manteve o alerta sanitário e orientou consumidores a evitarem o uso dos produtos envolvidos até nova manifestação oficial.
Com a repercussão do caso, perfis nas redes sociais passaram a publicar vídeos consumindo detergente, tomando banho com produtos de limpeza e incentivando o uso inadequado das substâncias. Especialistas alertam que, independentemente da motivação, ingerir esse tipo de produto representa risco real à saúde.
Segundo Andréia Miranda, gerente toxicológica na DB Diagnósticos, mesmo pequenas quantidades podem provocar irritações severas na boca, garganta, esôfago e estômago. Entre os sintomas mais comuns estão náuseas, vômitos, ardência, dor abdominal, tosse e sensação de engasgo.
Além da intoxicação química, médicos apontam que um dos maiores perigos é a chamada aspiração pulmonar, quando o produto alcança as vias respiratórias, principalmente em casos de vômito ou espuma. Isso pode causar pneumonite química, uma inflamação grave nos pulmões que exige atendimento hospitalar imediato.
O que fazer em caso de ingestão
A especialista reforça que provocar vômito não é recomendado. A prática pode agravar ainda mais as lesões no sistema digestivo e aumentar o risco de o produto atingir os pulmões.
Também não é indicado recorrer a receitas caseiras, como ingerir leite, vinagre, óleo, limão ou bicarbonato. Essas medidas podem atrasar o atendimento correto e piorar o quadro clínico.
A recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde ou um centro de intoxicação ao perceber qualquer sinal de ingestão acidental.
Sintomas podem surgir depois
Para a especialista, a ausência de sintomas imediatos não significa que a pessoa esteja fora de perigo. Em alguns casos, os sinais aparecem horas depois, especialmente quando há irritação interna ou comprometimento respiratório.
Entre os sintomas considerados graves estão:
- vômitos repetidos;
- dor intensa;
- sensação de queimação;
- tosse persistente;
- falta de ar;
- chiado no peito;
- sonolência;
- dificuldade para respirar.
O risco é ainda maior em crianças, idosos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças crônicas.
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Segurança sanitária
A discussão também trouxe à tona um episódio ocorrido em novembro de 2025, quando a própria fabricante realizou um recolhimento voluntário após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em alguns lotes de lava-roupas líquidos.
Esse tipo de microrganismo pode representar perigo principalmente para pessoas com baixa imunidade, feridas abertas ou contato frequente com mucosas.
Enquanto o caso segue sendo analisado pela Anvisa, profissionais da saúde reforçam que produtos de limpeza foram desenvolvidos exclusivamente para uso doméstico e nunca devem ser ingeridos, independentemente da quantidade ou da ausência aparente de sintomas imediatos.
